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Presidente da Anbid defende continuidade da alta dos juros
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Apesar da aparente desaceleração da inflação, o presidente da Anbid (Associação
Nacional dos Bancos de Investimento), Alfredo Setúbal, defendeu nesta
quarta-feira que o BC (Banco Central) continue elevando a taxa de juros Selic.
Ele disse que é necessária alta de mais 1 p.p. (ponto percentual), que poderia
ser feita em duas doses de 0,5 p.p.
"Acho que é necessário mais alta na taxa de juros. Neste momento, com os dados
que a gente tem, acredito que o BC vai elevar a taxa de juros mais um pouco,
sim", disse.
Setúbal estimou que a economia vai passar por um processo de desaquecimento no
segundo semestre, o que vai fazer com que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça
de 4,5% a 5% ao longo de 2008. Pelos cálculos da Anbid, a economia teve expansão
de 5,5% a 6%, de janeiro a junho deste ano.
"Vamos ter um crescimento menor nesse segundo semestre, e provavelmente a
inflação vai ceder um pouco, em função da queda dos preços das commodities, e
das taxas de juros mais altas. É um cenário ainda bom. A economia vinha, de
fato, muito aquecida, gerando pressões inflacionárias em alguns setores",
afirmou Setúbal, que elogiou a condução da economia por parte do ministério da
Fazenda e do BC.
Os efeitos dessa retração serão refletidos na inflação, avaliou. Para 2008,
Setúbal disse acreditar que a inflação não vai estourar o teto da meta, de 2
p.p. acima dos 4,5% estipulados.
"Ano que vem, a inflação vai mais para o centro da meta. Esse ano, dentro da
banda", observou.
Alfredo Setúbal estimou que a conjuntura internacional vai ficar mais "difícil"
daqui para frente. Em função disso, o Brasil não deverá passar dos 3,5%. "Acho
que vai desacelerar, a economia vai sentir o reflexo da economia internacional e
da taxa de juros", frisou.
A desaceleração da economia resultará também na ampliação da inadimplência no
setor bancário, que vem se mantendo estável, afirmou o presidente da Anbid. Para
Setúbal, esse crescimento será tímido, e estará longe de ser alarmante.
Por outro lado, acrescentou, haverá desaquecimento da carteira de crédito,
principalmente os financiamentos de veículos e outros setores que estão mais
aquecidos.
"A inadimplência ainda não aumentou, mas os bancos estão mais conservadores na
concessão de crédito. O nível de rejeição à aprovação aumentou por causa da
conjuntura mais adversa", observou.
Setúbal participou, nesta quarta-feira, de assinatura de convênio com a CVM
(Comissão de Valores Mobiliários) relativo ao procedimento simplificado para
registros de ofertas públicas de distribuição de valores mobiliários nos
mercados primário e secundário.
Caberá à Anbid analisar pedidos de registro de distribuição pública em relação a
valores mobiliários abrangidos pelo convênio, assim como pedidos de dispensa de
registro e de requisitos relativos a processos em análise. Esse material será
enviado à CVM já com avaliação prévia, e a expectativa é que o tempo desses
processos caia pela metade.
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