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Diretor do Banco Mundial diz que Brasil é foco de estabilidade
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
Em meio à crise econômica nos Estados Unidos e Europa, o diretor do Banco
Mundial, John Briscoe, disse nesta sexta-feira que o Brasil é um foco de
estabilidade entre os países latino-americanos. O economista elogiou a
manutenção das regras e avaliou que o país poderá exercer papel de destaque
entre os chamados Brics (Brasil, Índia, Rússia e China).
"Quem poderia imaginar que há dez anos, com o mundo em crise, estaria tudo bem
no Brasil? Antes, era um dos primeiros a sofrer. Isso demonstra que todo esse
trabalho de responsabilidade fiscal, que está sendo feito passo a passo",
afirmou, depois de participar do encerramento da edição especial do Fórum
Nacional, na sede do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social), no Rio.
Briscoe afirmou que o Banco Mundial, obviamente, está preocupado com a crise.
Ele lembrou que a zona latino-americana geralmente é muito afetada, pela
estreita ligação comercial com a economia americana. Quanto ao Brasil, atribuiu
o pouco efeito da crise ao nível de estabilidade política e econômica.
"Até agora, o Brasil está pouco afetado e acho que é uma demonstração de que o
rumo do país está certo. O Brasil está melhorando muito. Há mais
responsabilidade fiscal, ninguém quer ser irresponsável. Ainda tem o que
melhorar em relação à qualidade do gasto público, e tem que fazer os
investimentos. É o único caminho, não tem milagre. O Brasil é na América Latina,
no mundo inteiro, um foco de estabilidade", apontou.
O Brasil poderá ter papel relevante entre os países emergentes no futuro
próximo, acrescentou. Briscoe procurou comparar o Brasil com a Índia, país em
que já morou. Segundo ele, o Brasil tem vantagem em relação ao aproveitamento de
recursos naturais, especialmente da água. Por outro lado, há um desafio "muito
grande" quanto à formação de recursos humanos, ainda que Briscoe considere que o
Brasil avançou nesse tema.
"Se daqui a 20 anos me perguntarem qual país estará mais equilibrado, com menos
problemas profundos. Não há dúvidas que o Brasil, se continuar dessa forma",
afirmou.
Ele criticou, no entanto, a burocracia e o alto custo para se investir no
Brasil, mas ressaltou que há condições estáveis para o aporte de recursos.
"Se o presidente é esse ou aquele, não há diferença. Não tem ninguém que vai
dizer que não vai pagar a dívida, ninguém será irresponsável. Mas o Brasil tem o
dobro de impostos da Índia, da China e México. É difícil fazer negócios aqui
pelo custos altos e a qualidade da máquina pública não é muito grande",
completou.
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