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Crise gera cortes na indústria têxtil, que prevê menos contratações em 2009


CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio


A crise financeira chegou com força na indústria têxtil no final do ano passado, gerando demissões, mas a alta do dólar deverá garantir ao setor um 2009 "menos trágico", segundo o presidente da Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil), Aguinaldo Diniz.

Em novembro e dezembro, a projeção é que tenham ocorrido cerca de 20 mil de demissões no setor. Isso fará com que o número de empregos gerados em 2008 tenha somado 40 mil novos postos. Antes da crise, a expectativa da indústria têxtil era de que 55 mil novos empregos seriam criados.

Para 2009, Diniz projeta a criação de 35 mil empregos no setor, que segundo ele, deverá ser um dos menos afetados pela crise. Ele explica que segmentos de bens não-duráveis e semi-duráveis, que não são tão dependentes do crédito, sentirão a crise em escala menor.

O setor têxtil terá ainda como aliado o dólar mais caro, que já vem propiciando maiores exportações e menores compras de outros países, beneficiando a balança comercial do setor, que vinha sofrendo com a concorrência de outros países, principalmente a China. No ano passado, a balança do setor fechou com déficit de US$ 2 bilhões, o dobro do verificado em 2007.

"Em 2009, em função do cenário que se apresentou após a crise, que é uma sinalização boa do que virá pela frente, estimamos um déficit de US$ 1,4 bilhão na balança do setor. 2009 será um ano difícil, mas não será trágico ara o setor", afirmou Diniz, em coletiva durante o Fashion Business, dentro da programação do Fashion Rio 2009.

Para Diniz, o dólar mais alto será uma das tábuas de salvação do setor este ano. Ele disse acreditar que haverá espaço para que as exportações cresçam de forma significativa. Por outro lado, com as importações em queda, haverá mais espaço para o aumento da produção interna.

O presidente da Abit projeta um crescimento de 2,5% para a economia em 2009, o que segundo ele, não seria terrível para o segmento têxtil. De acordo com Diniz, 92% da produção têxtil brasileira é consumida pelo mercado interno.

"As exportações do Brasil representam apenas 0,5% do total da indústria têxtil no mundo. Há muito espaço para crescer, e por isso, acredito que mesmo com a crise, haverá expansão das vendas externas em 2009", observou Diniz, que pediu que o Brasil endureça na fiscalização de produtos importados ilegais este ano.

A indústria têxtil estima que teve uma produção física 0,35% menor em 2008. As peças de vestuário e confecção deverão ter incremento de 3,6%. O faturamento do setor deve ter somado, segundo a projeção, US$ 43 bilhões no ano passado, 4% superior aos US$ 41,3 bilhões observados no ano anterior. De janeiro a novembro, as fábricas investiram R$ 1,5 bilhão.

Segundo Diniz, dentro da indústria de transformação, apenas a indústria de alimentos emprega mais do que a têxtil. Com 1,650 milhão de empregados, representa 17% do contingente total da indústria de transformação.

 

 

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