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BNDES terá mais R$ 100 bilhões, mas
empresa deverá garantir emprego
O ministro Guido Mantega (Fazenda) anunciou nesta
quinta-feira (22) recursos adicionais para o BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
no valor de R$ 100 bilhões para os anos de 2009 e 2010.
Ele afirmou, porém, que as empresas que pegarem crédito
subsidiado do governo terão de "explicitar" no contrato
quantos empregos serão gerados com o investimento desses
recursos.
O BNDES tem sido um dos grandes instrumentos do governo
para enfrentar a crise financeira e a falta de
financiamentos. Assim, o dinheiro liberado hoje será
direcionado a aumentar o crédito para as empresas
brasileiras.
Apesar de citar a exigência de contrapartida das
empresas, o governo não deixou claro se irá cortar o
crédito de quem demitir. Mantega afirmou ainda que não
ficou definido também se haverá punição nesses casos.
"Não definimos ainda [punição para as demissões]. O que
nós temos de fazer é criar as condições para que não
haja necessidade de demissões no país. Não dá para dizer
que quem não empregar vai ser expulso do paraíso, vai
para o inferno. Não é assim que funciona", afirmou.
Segundo Mantega, as regras atuais do BNDES já obrigam as
empresas a prestar essa informação. "Daqui pra frente, o
crédito estará condicionado à manutenção do emprego.
Esses créditos do BNDES já estão direcionados. Hoje, no
contrato, a empresa já tem de informar. Vamos apenas
exigir a explicitação", disse o ministro.
Reportagem publicada hoje pela Folha apontou que o setor
da indústria que mais demitiu nos dois últimos meses de
2008, o de alimentos e bebidas, foi também o que recebeu
mais recursos do BNDES entre janeiro e novembro.
No mês passado foram fechados 654.946 postos de
trabalho, o pior resultado desde 1999, início da série
histórica do Caged (Cadastro Geral de Empregados e
Desempregados). No balanço do ano de 2008, foram criadas
1,452 milhão de vagas, resultado 10,2% abaixo do
registrado em 2007.
R$ 100 bilhões
O crédito extra no valor de R$ 100 bilhões vale para os
anos de 2009 e 2010. Em 2008, o banco emprestou cerca de
R$ 90 bilhões, 40% acima do total de liberações de 2007.
Em 2009, o banco já conta com R$ 116 bilhões e terá mais
R$ 50 bilhões do Tesouro. Os outros R$ 50 bilhões serão
utilizados em 2010.
Esse dinheiro virá por meio do caixa do governo e das
captações feitas no exterior pelo Tesouro Nacional. A
remuneração do dinheiro será divida em: 70% dos recursos
pela TJLP + 2,5% (total de 8,75% ao ano); os restantes
30% serão taxados ao custo de captação do Tesouro no
exterior.
"Não faltará recurso para investimento no Brasil. Vamos
estar com a oferta acima da demanda e com custos
reduzidos, taxas abaixo das do mercado", disse o
ministro.
O dinheiro ficará disponível para o banco, que irá sacar
conforme necessário. Serão priorizados investimentos na
área de gás e energia, bens de capital e infraestrutura,
entre outros setores. Também vão garantir os
investimentos do PAC (Programa de Aceleração do
Crescimento) e da Petrobras.
Exportadores
O gerente da área de comércio exterior do banco,
Guilherme Pfisterer, afirmou hoje em São Paulo que o
financiamento às exportações terá prioridade máxima do
BNDES. Segundo ele, o banco garante que manterá "ao
menos" o nível de crédito que o BNDES liberou em 2008
--cerca de US$ 6,6 bilhões.
"Estamos prontos para atender a demanda", disse
Pfisterer após participar de seminário sobre comércio
exterior na AmCham (Câmara Americana de Comércio). "Toda
vez que o mercado precisou nós agimos, criando novos
produtos e liberando recursos. A exportação é prioridade
absoluta e não vai faltar crédito a esse setor."
Vestir a camisa
O ministro afirmou que a liberação dos recursos
adicionais do BNDES é mais uma ação do governo para
tentar garantir um crescimento de 4% neste ano, acima
das previsões de 2% feitas pelo mercado financeiro.
Mantega citou também o corte de 1 ponto percentual na
taxa básica de juros, a Selic, para 12,75% ao ano,
anunciada ontem pelo Banco Central como parte dessas
medidas.
"Não só evitaremos a recessão em 2009, como teremos
taxas de crescimento positivas. Não será negativo como
nos EUA e em alguns países da União Europeia. Por isso
estamos tomando várias medidas de forte impacto, como
essa."
Ao fim da entrevista, Mantega afirmou também que é
preciso a participação das empresas para garantir esse
resultado. "É preciso que o setor privado abrace essa
camisa e confie. Se todos fizerem assim, poderemos ter
taxas de crescimento acima do previsto."
Colaborou YGOR
SALLES
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