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Custo de empréstimos atinge maior nível desde 2003 e pesa no crédito





Apesar da redução de impostos e custos que afetam o crédito bancário, a parcela dos juros que embute o ganho dos bancos (o chamado "spread") subiu no fim de 2008.

De acordo com o Banco Central, o "spread" bancário subiu em dezembro para 30,6 pontos percentuais, o maior nível desde agosto de 2003. O spread é a diferença entre a taxa de captação dos bancos e os juros que eles cobram do consumidor e das empresas.

O "spread "é composto por impostos, custos operacionais, inadimplência e também pelo ganho dos bancos. No último trimestre do ano, o governo reduziu compulsórios e impostos, mas não houve queda no "spread".

Em setembro, os bancos pagavam 14% na captação e emprestavam a 40,4% ao ano. A diferença era de um "spread" de 26,4 pontos. Em dezembro, os bancos já conseguiam dinheiro mais barato (12,6%), mas a taxa de empréstimo subiu para 43,2%, o que aumentou o spread para 30,6 pontos.

Cheque especial

Outro dado que mostra esse movimento é a comparação com a taxa básica de juros, que subiu 2,5 pontos percentuais no ano. Nesse período, o custo de captação dos bancos aumentou menos (1,1%), mas os juros avançaram 9,4%.

No cheque especial, por exemplo, o spread aumentou 34,7 pontos percentuais no ano passado, o maior aumento entre todas as modalidades de crédito. Da taxa de 174,9% ao ano cobrada do consumidor em dezembro, 162,5 pontos eram de "spread".

"Essa elevação dos juros no ano foi puxada pela elevação do 'spread'. As instituições financeiras estão mais conservadoras e elevando o spread devido à percepção de risco", afirmou o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Em dezembro, por exemplo, o governo anunciou uma redução do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para crédito ao consumidor de 3% para 1,5%. Em janeiro de 2008, quando o governo aumentou o IOF, o spread subiu quase 5 pontos.

Segundo o BC, mesmo o aumento da inadimplência não se deu no mesmo nível do aumento do spread. A inadimplência geral subiu, pelo quarto mês seguido, e passou de 4% em setembro para 4,4% em dezembro. Para pessoa física passou de 7,3% para 8,1%, maior nível desde setembro de 2002.

"A inadimplência subiu. Mas não sei se isso seria suficiente para a elevação de spread nessa magnitude", afirmou Altamir.

 

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