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Dificuldade para obter crédito continua,
diz indústria
YGOR SALLES
da Folha Online
Apesar da série de medidas tomadas pelo governo federal
para reduzir a dificuldade de obtenção de crédito após o
estouro da crise financeira, em setembro do ano passado,
o setor industrial aponta que conseguir dinheiro no
banco continua tão ou até mais difícil do que no auge do
problema.
Segundo a Sondagem da Indústria de Transformação da FGV
(Fundação Getulio Vargas), a quantidade de empresários
que consideram alto o grau de exigência para obter
crédito é de 42%, enquanto apenas 2% disseram estar
baixo. É uma situação pior do que na medição de outubro
do ano passado --no auge da crise de liquidez em dólares
no mercado--, quando 33% disseram que o grau de
exigência era alto e 3% que era baixo.
Para efeito de comparação, na medição de julho do ano
passado --a última antes do do estouro da crise--, 16%
apontavam grau de exigência alto e 27% de baixo, uma
situação completamente inversa.
"O crédito continua difícil de se conseguir", disse o
coordenador do Núcleo de Pesquisas e Análises Econômicas
da FGV, Aloisio Campelo Junior. "Parece que as medidas
não surtiram muito efeito."
Segundo ele, esse problema acaba "contaminando" as
expectativas dos industriais para os próximos meses. "A
falta de crédito contribui negativamente para a evolução
das expectativas, que segue em queda", disse.
Estoque e emprego
O IE (Índice de Expectativas), que engloba as questões
futuras da Sondagem, recuou para 72,2 pontos em janeiro,
ante 73,3 pontos em dezembro. Trata-se do pior nível
desde o início da série histórica, em abril de 1995.
Entre as perguntas que formam o IE, duas apresentaram
quedas em janeiro: a de emprego, onde recuaram as
previsões de contratações, e da situação dos negócios em
seis meses.
Segundo a pesquisa, 13,3% disseram que o emprego
previsto nos próximos três meses irá aumentar --2,2
pontos percentuais a menos do que em dezembro. O número
de empresas que preveem demissões também caiu, mas em
ritmo menor: de 32,5% para 31,7%.
O índice da situação dos negócios em seis meses teve uma
queda mais pronunciada, chegando aos 77 pontos --o menor
da série histórica-- ante 87,7 pontos em dezembro.
"Nesse caso, é bom lembrar que a base de comparação é
com o ano anterior, então a comparação feita é com o
final do primeiro semestre de 2008, quando a situação
era a melhor em anos", ressaltou Campelo.
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