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Concessões de crédito cresceram 1,1%
desde o início da crise, diz Meirelles
As concessões de crédito livre se mantiveram em janeiro
praticamente no mesmo patamar verificado em dezembro, de
acordo com dados apresentados nesta segunda-feira pelo
presidente do BC (Banco Central), Henrique Meirelles.
Em outubro, mês seguinte ao estouro da crise
internacional que afetou o crédito no mundo todo, a
liberação de novos financiamentos para pessoas físicas e
empresas caiu 7,3%. Dois meses depois, em dezembro, as
concessões já se estavam 1% acima do verificado antes da
crise.
No mês de janeiro, segundo Meirelles, o valor de novos
empréstimos está 1,1% acima do número de setembro.
"As concessões de crédito livre passaram a apresentar
recuperação. Já voltamos a nos aproximar dos níveis
pré-crise e já estamos um pouquinho acima dos níveis de
setembro", afirmou Meirelles.
De acordo com o presidente do BC, a parcela mais afetada
do crédito foram as linhas vindas do exterior. Dos US$
620 bilhões de empréstimos que havia no país, US$ 90
bilhões eram de crédito captado diretamente por empresas
que atuam no Brasil. Outros US$ 47 bilhões, também
afetados, se referiam ao dinheiro captado por bancos
brasileiros no exterior para empréstimos no país.
"O crédito externo e o crédito doméstico com fonte
externa é onde a crise afetou mais o Brasil a partir de
setembro", afirmou Meirelles.
De acordo com o presidente do BC, entre as medidas
tomadas para reativar o crédito estão a liberação de R$
99,1 bilhões dos depósitos compulsórios dos bancos
privados e públicos e as intervenções no mercado de
câmbio no valor de US$ 61 bilhões.
"Nessa etapa, nós estamos substituindo o crédito
internacional e aumentando a oferta de crédito. Com essa
normalização, é importante agora que as taxas comecem a
retomar a um patamar mais próximo do que se poderia
esperar de uma normalidade."
Paciência
O presidente do BC também afirmou que o governo está
preocupado com o renda e o emprego para ajudar a
economia brasileira a manter o ritmo de crescimento
verificado nos últimos anos.
Meirelles descartou, no entanto, "atitudes
excessivamente agressivas" para combater problemas que o
BC considera como "ajustes de curto prazo". Entre os
ajustes, ele citou a questão dos estoques das empresas.
Na semana passada, o presidente do BC já havia afirmado
que não se pode trocar uma crise externa de curto prazo
por um problema interno de longo prazo, em uma
referência à questão da queda dos juros e à inflação.
"Temos de ser pacientes, temos de ter serenidade."
Durante apresentação em evento promovido hoje pelo
Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e
Agronomia), Meirelles apresentou dados também sobre o
estoque de crédito.
Os dados já divulgados pelo BC mostram um crescimento de
6,5% no estoque total de crédito entre setembro e
dezembro. O crescimento foi puxado pelo resultado dos
bancos públicos (12,9%) e grandes bancos nacionais
(10%). Os bancos estrangeiros tiveram aumento menor, de
4,5%, enquanto os bancos pequenos nacionais tiveram uma
expansão de apenas 0,6%.
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