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Lucro do BNDES cai 27,4% e encerra ano em
R$ 5,3 bilhões
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e
Social), principal agente do governo usado no combate à
crise internacional, obteve lucro líquido de R$ 5,3
bilhões em 2008, o que repesenta queda de 27,4% frente
ao ano anterior.
O banco alegou que a redução no lucro deveu-se
principalmente ao menor resultado bruto oriundo das
intermediações financeiras, que ficaram em R$ 3,8
bilhões no ano passado, ante R$ 4,7 bilhões em 2007, e à
redução de receitas com reversão de provisão para risco
de crédito. Em 2008, as provisões atingiram R$ 445
milhões, abaixo dos R$ 1,3 bilhão constatado em 2007 --a
situação reflete a "alta qualidade da carteira de
crédito do BNDES e seu baixo nível de inadimplência",
segundo o banco.
Em comunicado, o BNDEs destaca que o menor resultado
bruto nas intermediações financeiras ocorreu em função
da redução dos "spreads" cobrados nas operações de
financiamento --a diferença entre o custo de captação do
dinheiro para os bancos e a taxa de juros cobrada dos
clientes para emprestá-lo..
"A medida contribuiu para a redução do custo total dos
financiamentos do banco, favorecendo, dessa forma, novos
investimentos na economia", afirma a nota.
O patrimônio líquido do sistema BNDES totalizou R$ 25,3
bilhões, o correspondente a um patrimônio de referência
de R$ 42,5 bilhões em 31 de dezembro de 2008. Um ano
antes, esse patrimônio de referência não passava de R$
41,5 bilhões. O patrimônio de referência é a base
utilizada pelo Banco Central para estabelecer limites
prudenciais que devem ser seguidos por todas as
instituições financeiras. Quanto maior for o patrimônio
de referência do BNDES, maior sua capacidade de conceder
crédito.
Os ativos totais do BNDES somaram R$ 277,3 bilhões ao
final de 2008, alta de 36,8% em relação ao ano anterior.
Deste total, 77,9% estão representados pela carteira
líquida de financiamentos e repasses.
O resultado com participações societárias do banco ficou
praticamente estável -- R$ 6,1 bilhões em 2008, ante R$
6 bilhões no ano anterior. Destacaram-se a alienação de
títulos e valores mobiliários, no montante de R$ 4,6
bilhões, derivado da venda de participações societárias
de ArcelorMittal, CSN e Aços Villares. Finalizada no
segundo trimestre de 2008, o negócio tem resultados
brutos somados que representaram 79,3% do total obtido
no exercício de 2008 com alienações.
A receita de dividendos e juros sobre o capital próprio
somou R$ 2,1 bilhões, com destaque para Petrobras (R$
700 milhões). Foi feita ainda provisão de R$ 700 milhões
para perdas em investimentos, mediante estudo realizado
pela área de Mercado de Capitais do BNDES.
O nível de inadimplência representou 0,15% da carteira
total. Segundo o BNDES, a crise financeira não afetou a
qualidade da carteira, sendo que 98,2% do total dos
créditos concedidos foram classificados entre os níveis
de risco AA e C.
O índice de exposição ao setor público ficou 17,1%,
abaixo dos 45% limitados pelo Banco Central. O balanço
do banco informa ainda que foram captados R$ 22,5
bilhões junto ao Tesouro Nacional e R$ 7 bilhões em
recursos do FGTS para complementar o orçamento do banco.
No ano passado, o BNDES liberou um volume recorde de R$
92 bilhões para financiamentos.
O BNDES fez ainda saldo de provisão para risco de
crédito de R$ 4,6 bilhões. Segundo o banco, o valor
equivale a 13,9 vezes a carteira de créditos
inadimplentes.
"Isso significa que o montante provisionado é mais do
que suficiente para cobrir possíveis perdas com créditos
inadimplentes", completa o banco, em comunicado.
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