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Crise econômica expõe fragilidades do
mercado de crédito de carbono
JEROME CARTILLIER
da France Presse, em Paris
Os empresários da indústria, diante da crise econômica
mundial, reduzem a produção e compram menos direitos de
emissão de dióxido de carbono (CO2), provocando uma
queda dos preços que faz temer o desaparecimento do
interesse em buscar alternativas para a poluição
tradicional.
No mercado europeu, no qual são vendidas permissões de
emissão de CO2 --também chamados "direitos para
poluir"-- o preço da tonelada se reduziu praticamente a
um terço de seu valor médio de 2008, quando se situava
nos 30 euros.
No início de fevereiro, o preço da tonelada caiu pela
primeira vez abaixo dos 10 euros. Nesta semana, ela era
vendida a 9,20 euros no mercado de Blue Netx, em Paris.
A explicação é muito simples: a crise econômica provocou
uma queda da atividade dos produtores de eletricidade,
cimento e aço, que, consequentemente, reduziram suas
emissões de CO2.
"Considera-se que um ponto de crescimento menor do
Produto Interno Bruto (PIB) na Europa equivale a 30
milhões de toneladas de CO2 a menos. Existe um efeito
mecânico", explicou David Rapin, diretor de
desenvolvimento do Blue Next.
Dessa maneira, a redução das emissões de gases de efeito
estufa por culpa da crise é, a curto prazo, uma boa
notícia para o ambiente. No entanto, o temor é o de que
contaminar a baixos custos elimine os incentivos para
investir em energias renováveis e tecnologias menos
poluentes.
"Não é uma boa notícia para os investimentos verdes.
Enquanto preço do CO2 estiver baixo, os industriais, por
visão a curto prazo, não farão os investimentos
necessários a médio e longo prazo", disse Damien
Demailly, do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na
sigla em inglês).
"A instabilidade dos preços do CO2 é uma das
fragilidades do sistema", afirmou.
Cada Estado membro da UE obteve uma cota de emissões de
CO 2 que foram distribuídas entre as diferentes
indústrias. Na prática, as empresas que emitem menos de
sua cota podem vender direitos de emissão no mercado.
Mudanças no mercado
Para alguns especialistas, a atual situação requer uma
reforma do mercado.
"A crise está 'fazendo seu trabalho' e nós não estamos
fazendo nada. Os investimentos verdes se reduziram em um
momento em que se devia fazer mais pelo clima", explicou
Cedric Philibert, da Agência Internacional de Energia (AIE),
autor de um estudo sobre os preços básicos e os preços
máximos.
"São necessários preços de base, pois isso dá confiança
aos investidores, e preços máximos para que não se
hesite em optar por objetivos mais ambiciosos", afirmou.
Em compensação, os defensores do mercado de carbono em
sua atual forma não discutem seu funcionamento e
consideram que, quanto mais ambicioso forem os objetivos
internacionais para lutar contra o aquecimento
climático, mais altos serão os preços do carbono.
"É um mercado muito jovem. A longo prazo, o consenso dos
especialistas é que os preços serão mais elevados",
afirmou Rapin.
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