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Ministério Público propõe reintegração de
demitidos da Embraer
O procurador do Trabalho Roberto Ribeiro
propôs nesta segunda-feira, em audiência com
representantes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José
dos Campos e da fabricante brasileira de aviões Embraer,
a suspensão do dissídio coletivo, com a reintegração
imediata dos mais de 4.000 trabalhadores demitidos.
Na audiência, realizada nesta segunda-feira na sede da
Procuradoria do Trabalho em São José dos Campos, foi
proposta também a formação de uma mesa de negociação com
a participação do sindicato, da empresa e de
representantes do MPT (Ministério Público do Trabalho).
A sugestão foi aceita pelo sindicato, mas a Embraer
preferiu deixar a decisão para depois da audiência de
conciliação de dissídio coletivo, prevista quinta-feira
(5), no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Campinas,
em que o MPT espera que seja apresentada proposta igual
ou semelhante.
A empresa pediu prazo de 20 dias para a entrega de
documentos que comprovem a necessidade das demissões, e
o Ministério Público concordou.
Amanhã (3), a partir das 9h, na sede do Sindicato dos
Metalúrgicos de São José dos Campos, haverá nova
assembleia com os trabalhadores demitidos da Embraer. O
objetivo é chamar os demitidos a intensificar a
mobilização nesta semana, considerada decisiva pelo
sindicato para a reversão das dispensas.
A fabricante brasileira de aviões anunciou no último dia
19 a demissão de mais de 4.200 funcionários, que
equivalem a 20% de sua força de trabalho.
A Embraer alegou que os efeitos da crise financeira
internacional são os responsáveis pela queda das
encomendas, o que gerou a necessidade de demissões.
O corte representa cerca de 20% do efetivo de 21.362
empregados, e se concentram na mão-de-obra operacional,
administrativa e lideranças, incluindo a "eliminação de
um nível hierárquico de sua estrutura gerencial".
Na semana passada, a Justiça do Trabalho determinou a
suspensão das demissões até a audiência agendada para
empresa e sindicatos no dia 5. A Embraer recorreu para
derrubar a liminar.
Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta
segunda-feira que o desafio neste momento é incentivar
as companhias aéreas nacionais, principalmente as que
atuam em rotas regionais, a adquirirem aviões da
Embraer.
Lula afirmou que, entre as empresas brasileiras que
sofrem com a crise, a Embraer é um caso específico
porque mais de 90% de sua produção é voltada para
exportação.
"As criticas que eu tinha que fazer, eu já fiz.
Precisamos pensar agora como podemos usar os aviões da
Embraer em voos regionais", afirmou.
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