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Bolsas globais disparam, à espera de
pacote chinês; Bovespa fecha em alta de 5,3%
O mercado deixou de lado, pelo menos por hoje, o
pessimismo com a economia global para se render a um
"entusiasmo" com a possibilidade de um pacote anticrise
na China. As Bolsas de Valores europeias, americanas e a
brasileira Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo)
dispararam, recuperando parcialmente as fortes perdas
acumuladas nos últimos dias. Em sentido inverso ao
mercado acionário, o câmbio desceu para R$ 2,37.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, disparou 5,31% no
fechamento, alcançando os 38.402 pontos. O giro
financeiro foi de R$ 4,72 bilhões.
Nos EUA, a Bolsa de Nova York fechou com avanço de
2,23%, aos 6.875 pontos. E na Europa, a Bolsa londrina
ganhou 3,81%, enquanto as ações subiram 5,42% em
Frankfurt. O índice FTSEurofirst 300, que reúne ações
das principais empresas europeias, encerrou o dia com
ganho de 3,9%.
"Foram vários fatores que ajudaram as Bolsas hoje. Tem
esse pacote da China, mas há ainda o plano do [Barack]
Obama para ajudar os mutuários; e a própria disposição,
sinalizada ontem, do Fed [o banco central dos EUA] e do
Tesouro em fazer novos aportes para evitar mais quebras
de bancos", comenta João Carlos Reis, diretor da
tesouraria da corretora Prime. "Não podemos esquecer que
hoje também houve um pouco de correção das perdas
passadas. E mesmo assim, o [índice] Dow Jones não
conseguiu recuperar aquele nível psicológico dos 7 mil
pontos", acrescenta.
Os papéis da Vale do Rio Doce foram as mais beneficiadas
pelo "efeito China", já que o país é um dos grandes
consumidores globais das commodities metálicas. A ação
preferencial da mineradora brasileira, que sozinha
movimentou R$ 812 milhões, disparou 9,68%.
Outro papel bastante influente da Bolsa brasileira, a
ação preferencial da Petrobras, também subiu com força:
6,33%, girando mais de R$ 1 bilhão, favorecida pela boa
alta dos preços do petróleo, que atingiu US$ 45 na praça
de Nova York.
O dólar comercial foi vendido por R$ 2,370, o que
representa um decréscimo de 1,70% sobre a cotação de
ontem. A taxa de risco-país marca 429 pontos, número
3,59% abaixo da pontuação anterior.
"Vai ser a partir de amanhã que nós devemos ter uma
definição, de verdade, da tendência do mercado", avalia
Paulo Prestes, operador da corretora gaúcha Exim. Mas
mesmo com o relativo otimismo sobre o pacote asiático, o
profissional não descarta um novo repique (para cima)
das cotações ainda nesta semana: "a economia americana
ainda está muito ruim", teme ele.
Mais dinheiro para socorrer a economia
Os números mais recentes das maiores economias do
planeta, combinados com balanços desastrosos de algumas
grandes empresas, haviam derrubado o moral dos
investidores. As primeiras notícias positivas, portanto,
deram a senha para um dia de "trégua" na crise.
O mercado gostou da notícia de que o nível de atividade
do setor manufatureiro chinês subiu em fevereiro,
conforme leitura do indicador PMI. Amanhã, o Congresso
Nacional do Povo da China inicia os trabalhos deste ano
e há a expectativa de que ocorra o anúncio de um pacote
de medidas fiscais para estimular a economia local, a
terceira maior do planeta. O premier Wen Jiabao já
anunciou na semana passada a intenção de "ajudar o mundo
a sair da crise mundial".
Também ajudou a melhorar os ânimos do mercado o programa
do governo americano de US$ 75 bilhões, para ajudar
mutuários em atraso, de modo a evitar uma onda maciça de
despejos.
O relativo otimismo dos investidores ajudou a superar
uma nova rodada de más notícias da economia europeia e
americana. Na Europa, o nível de atividade do setor de
serviços na zona do euro caiu, segundo leitura da
empresa de pesquisas Markit. Os piores resultados foram
verificados na Alemanha, França, Itália e Espanha,
algumas das economias mais poderosas do continente.
Nos EUA, os números não foram melhores: a consultoria de
recursos humanos ADP Employer Services reportou que o
setor privado da economia americana perdeu 697 mil
empregos em fevereiro. E a entidade privada ISM
(Instituto de Gestão de Oferta, na sigla em inglês)
apontou que o nível de atividade do setor de serviço
piorou pelo quinto mês consecutivo.
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