Ipea: "fatura" da crise ainda não está ganha para o
Brasil
Apesar de reconhecer que o Brasil venceu as etapas mais
difíceis da crise, um estudo do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada aponta que a "fatura ainda não está
ganha" para o País. Segundo o pesquisador Milko
Matijascic, autor da frase acima, é possível que ainda
haja reflexos da crise com impacto negativo para os
países emergentes, em especial, por causa da deflação
(queda nos preços) provocada nos Estados Unidos, no
Japão, na China e em parte da União Europeia.
Na deflação, ocorre uma redução do nível geral de preços
de um país e a moeda em circulação ganha valor
relativamente às mercadorias, serviços e moedas
estrangeiras. Isso é quase sempre lesivo à promoção de
um nível mais sólido de atividade econômica, diz o Ipea.
Em outras palavras, prejudica os países exportadores,
pois os preços de seus produtos perdem competitividade.
No entanto, a análise técnica do Ipea destaca o
reconhecimento mundial de que o Brasil saiu maior da
crise. Segundo Matijascic, o País reagiu à crise de
maneira exemplar, principalmente porque deu prioridade a
ações de cunho social, como a garantia de crédito
pessoal por meio dos bancos públicos e a redução do
Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), sobretudo
para material de construção.
"O Brasil venceu as etapas mais difíceis da crise",
afirmou Matijascic. Ele salientou que o Brasil é visto
lá fora como exemplo de recuperação sustentada, tendo
hoje uma situação mais cômoda, do ponto de vista
macroeconômico, do que a maioria dos países. Ele
enfatizou, contudo, que não se pode "deixar de monitorar
a situação de turbulência ainda vivida pelos países
desenvolvidos".
O estudo do Ipea ressalta a existência de uma nova ordem
econômica mundial pós-crise, com consolidação do Grupo
dos 20 (G20) como foro privilegiado, no qual o Brasil, a
China e a Índia passam a ser ouvidos de forma direta e a
ter influência decisiva. Com isso, o outrora fechado
grupo dos oito países mais desenvolvidos (G8) deverá ser
naturalmente ampliado.