Briga de irmãos teria precipitado venda da Casas Bahia
Uma briga entre dois dos irmãos herdeiros das Casas
Bahia pode ter precipitado a venda da gigante do varejo
para o Pão de Açúcar. Dois especialistas em varejo com
trânsito na Casas Bahia disseram ao Terra, sob a
condição de anonimato, que a saída de Saul Klein, irmão
do presidente da empresa, Michel Klein, há 65 dias,
seria uma razão bastante plausível para a venda da
empresa, anunciada nesta sexta-feira.
"Saul sempre foi o responsável pelas compras na Casas
Bahia. Ele trabalhava em silêncio, mas era fundamental.
Com margens muito pequenas de lucro na venda no balcão,
era Saul quem apertava os fornecedores na hora da
negociação e conseguia preços incomparáveis. Sem ele, a
empresa perdeu essa capacidade. Michel sabe vender, mas
não sabe comprar", afirmou um dos especialistas ao
Terra.
Outra fonte cita que a saída de Saul da sociedade não
foi exatamente pacífica e quebrou a unidade entre a
família, que é a alma do negócio fundado pelo patriarca
Samuel Klein (há ainda uma terceira herdeira, Eva, que
mora nos Estados Unidos). De acordo com o especialista,
houve perda na força operacional da empresa após a saída
de Saul, uma vez que a estrutura da empresa ainda é
familiar e não estaria preparada para seguir em frente
num mercado em que a guerra de preços só cresce.
"A parte da família que permaneceu no negócio
provavelmente avaliou que seria uma boa hora para
vender, levando em conta para isso, também, o fato de
ter perdido Saul nas operações do dia a dia", afirmou
uma das fontes.
Saul teria ficado com R$ 1 bilhão para deixar a
companhia, uma cifra que nunca foi confirmada
oficialmente por nenhuma das partes envolvidas.
Durante a entrevista coletiva realizada na manhã de
sexta-feira para o anúncio da venda da companhia, o
presidente Michel Klein negou para os jornalistas
presentes que a saída de seu irmão da sociedade fosse
motivo para a negociação com o Pão de Açúcar.