Aumento Salarial foi direto para o bolso do governo
Um estudo da Ernst Young mostra que o trabalhador perdeu
até 23,08% do aumento salarial obtido para o imposto de
renda. Uma simulação feita pela empresa com quatro
faixas salariais e três possibilidades de dissídio ou
aumento revela que, em muitos casos, o reajuste levou o
trabalhador a uma faixa que prevê recolhimento maior.
De acordo com Tatiana da Ponte, sócia da área de imposto
de renda pessoa física da Ernst & Young, “mesmo que o
contribuinte tenha se mantido na mesma faixa salarial,
se o aumento foi superior a 4,5%, valor pelo qual a
tabela foi corrigida, o contribuinte passou a pagar mais
IR em 2010.
A razão é o descompasso entre o reajuste da tabela do IR
e os aumentos salariais. Desde 1996, quando houve o
congelamento da tabela progressiva do imposto de renda,
a inflação acumulada, pelo IPCA, foi de 90,65%. No
período, a tabela do IR foi corrigida em 53,5%, o que
representa uma defasagem de 37,15%.
“Se considerarmos que, em média, a remuneração aumentou
acima da inflação, nem mesmo essa atualização da tabela
pelo IPCA seria suficiente para garantir ao trabalhador
que seu reajuste não vá direto para o cofre do governo”,
afirma Tatiana.