NY vira e contamina Bovespa antes de decisão da Selic
Os índices da bolsa de valores de Nova York abandonaram
o otimismo que predominou ao longo da quarta-feira e
terminaram no vermelho, contaminando a Bovespa, apesar
de fortes dados da economia chinesa e de comentários
positivos do chairman do Federal Reserve (FED), Ben
Bernanke.
No plano doméstico, investidores aguardam a decisão do
Banco Central (BC) sobre o juro básico (Selic) e as
previsões indicam um aumento de 0,75 ponto percentual.
Logo cedo, o mercado se animou com informações de que as
exportações da China cresceram em torno de 50% em maio
sobre igual mês de 2009, acima das estimativas, que
apontavam expansão de 32%.
A fala de Bernanke também ajudou pela manhã. Em discurso
ao comitê orçamentário da Câmara dos Deputados, o
chairman do Fed afirmou que a retomada da economia dos
EUA ocorre em base sólida, embora tenha alertado que
pode levar anos até que o mercado de trabalho se
recupere totalmente.
Nesse contexto, os pregões asiáticos e europeus
avançaram. Nova York acompanhou o bom humor na maior
parte da sessão, mas sucumbiu no final à má performance
do setor de energia, ainda devido ao vazamento de óleo
no Golfo do México. As ações da BP negociadas nos EUA
caíram à mínima desde 1996.
O Ibovespa seguiu Wall Street e encerrou em queda. Antes
da reviravolta, o dólar cedeu em relação ao real, em
meio à baixa generalizada da moeda americana.
À tarde, o Fed apontou por meio do Livro Bege melhora na
economia dos EUA. Mas o documento também indicou que as
preocupações com a crise na Europa ainda persistem.
No velho continente, aliás, o Parlamento português
aprovou um plano de austeridade para reduzir o déficit
orçamentário a 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB) neste
ano. Também a União Europeia fez um alerta contra a
qualidade das estatísticas da Bulgária, após a Hungria
ter ocupado o foco nos últimos dias.
No Brasil, a reduzida liquidez marcou a última sessão no
mercado de DI antes da decisão do Comitê de Política
Monetária (Copom) sobre a Selic, com leve alta nas
taxas. A pauta local foi recheada por dados de inflação
corrente.
O IPCA de maio subiu 0,43%, mês em que IGP-DI acelerou a
alta para 1,57%.
Ainda da agenda doméstica, o BC informou que a entrada
líquida de moeda estrangeira no Brasil em maio somou US$
2,605 bilhões, maior valor desde novembro do ano passado