Argentina toma a frente e elimina bitributação
O Mercosul aprovou nesta terça-feira o esperado Código
Aduaneiro comum que elimina a bitributação de produtos
que circulam pelos países do bloco, depois de seis anos
de discussões, anunciou a presidente Cristina Kirchner,
durante a 39ª reunião de cúpula do Mercosul, realizada
na cidade argentina de San Juan.
Hoje, um produto que ingressa no Mercosul pelo Paraguai
e depois é reexportado para o Brasil, por exemplo, paga
duas vezes o imposto de importação. A eliminação da
bitributação estava prevista no tratado de criação do
Mercosul.
A dupla tributação da Tarifa Externa Comum no Mercosul
era vista por especialistas como um grande entrave.
"Anuncio a aprovação do Código Aduaneiro, sobre o qual
vínhamos trabalhando arduamente durante anos", disse a
presidente no plenário. Representantes dos países do
bloco trabalharam numa corrida contra o relógio para
conseguir o acordo.
"Esta é uma conquista dos quatro Estados membros, todos
fizemos um grande esforço para aprová-lo", disse
Kirchner, em referência aos sócios plenos do bloco -
Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.
O Mercosul, numa declaração conjunta, considerou que a
aprovação do Código e a distribuição da receita
"constituem passos decisivos no aperfeiçoamento da União
Aduaneira".
Segundo o ministério da Fazenda do Brasil, a eliminação
da bitributação é uma forma de acabar com as assimetrias
porque haverá uma redistribuição dos tributos. Com essa
eliminação, o bloco vai de fato estabelecer uma zona
aduaneira comum, como existe na União Européia, e depois
fazer uma divisão das arrecadações, que vai beneficiar
os países menos desenvolvidos, e isso ajudará no combate
às assimetrias.