Dólar tem leve queda por temor de intervenção do BC
O receio de uma intervenção mais firme do governo freou
a queda do dólar nesta terça-feira, mantendo a taxa
acima de R$ 1,75 mesmo com o ambiente favorável no
exterior. A moeda americana terminou a R$ 1,755, em
queda de 0,11%.
Enquanto o mercado de câmbio fechava no Brasil, o índice
de ações Standard & Poor's 500 avançava 1,6% em Nova
York e o índice Reuters-Jefferies de commodities subia
0,8%. Resultados de importantes varejistas americanas
acima das expectativas davam esperança a investidores de
que a retomada global pode ser mantida.
A cotação de R$ 1,75 tem sido vista por analistas como
um patamar sensível a mais intervenções do Banco
Central. Abaixo desse nível, a autoridade monetária fez
dois leilões por dia em algumas sessões entre abril e
maio e sondou bancos sobre uma possível oferta de swap
cambial reverso.
Nesta sessão, o BC comprou dólares mais cedo que o
habitual, entre 12h09 e 12h19, e deixou em aberto a
possibilidade de uma segunda operação durante a tarde.
"Gera uma certa apreensão no mercado para apostar contra
o dólar a partir desse nível, o que acaba oferendo um
suporte muito forte para a moeda americana", disse
Luciano Rostagno, estrategista-chefe da corretora CM
Capital Markets.
A pressão externa pela queda do dólar, no entanto, tem
sido mais forte nos últimos dois dias. Após diminuir
suas posições vendidas no mercado futuro e de cupom
cambial (DDI) a US$ 4,8 bilhões nos primeiros dias do
mês, os investidores estrangeiros recompuseram essas
posições a US$ 6,1 bilhões na segunda-feira.
Para Rostagno, o que pode determinar a quebra do patamar
de R$ 1,75 é o comportamento do fluxo de dólares para o
país, que ficou positivo nas últimas duas atualizações
semanais feitas pelo Banco Central. "Com essa
expectativa com a capitalização da Petrobras, talvez a
gente tenha força suficiente para romper esse suporte",
disse, em referência à bilionária oferta de ações
programada para setembro.