Abertura econômica pode afetar acesso a genéricos da
Índia
A abertura comercial pode prejudicar o setor indiano de
medicamentos genéricos, responsáveis por grande parte
dos remédios contra a Aids enviados às nações em
desenvolvimento, segundo um estudo publicado nesta
terça-feira pela Unitaid, entidade multilateral voltada
para a compra de medicamentos.

O relatório, preparado em conjunto por especialistas da
Unitaid, da Universidade de Boston e de Harvard, alerta
que os genéricos indianos podem ficar mais caros e
inacessíveis se o país tiver de aderir a regras mais
rígidas de propriedade intelectual.
O texto diz que acordos comerciais aos quais a Índia
aderiu, como o Trips (documento da Organização Mundial
do Comércio sobre propriedade intelectual), já começaram
a complicar os esforços para a exportação de
medicamentos baratos e importantes a países em
desenvolvimento.
"A introdução de patentes de produtos na Índia está
restringindo severamente a concorrência e a oferta dos
genéricos, particularmente para remédios mais novos",
diz o relatório. "Muitos acordos de livre comércio que
já foram concluídos ou estão sendo negociados entre
países industrializados e em desenvolvimento contêm
medidas que restringem o acesso aos medicamentos."
O estudo, divulgado na revista Journal of the
International AIDS Society, diz que as negociações
comerciais entre Índia e Estados Unidos incluem medidas
que poderiam retardar ou restringir a concorrência dos
medicamentos genéricos, ao prorrogar os prazos das
patentes, exigir exclusividade de dados e endurecer as
regras de fiscalização alfandegária.
Isso elevaria o custo dos preços para os tratamentos com
antirretrovirais exportados pela Índia, limitaria as
opções de dosagem e retardaria o acesso a drogas novas e
melhores, argumenta o estudo. "Tais medidas podem abalar
a meta internacional de oferecer acesso universal às
intervenções contra o HIV/Aids."
Criado em 2006 por Brasil, Chile, França, Noruega e
Grã-Bretanha, a Unitaid usa recursos de impostos sobre
passagens aéreas e doações para financiar o tratamento
contra Aids, malária e tuberculose em países pobres.
Jorge Bermudez, secretário-executivo da Unitaid, disse
que 80% das drogas contra Aids que o grupo distribui
atualmente são genéricos feitos em laboratórios
indianos.
"As conclusões desse estudo despertam graves
preocupações para nós", disse ele em nota. "O que
precisamos hoje é de uma abordagem mais flexível para
ampliar a escala dos tratamentos, e não o contrário."
Entre os principais fabricantes indianos de genéricos
estão Cipla, Aurobindo Pharma, Strides Arcolab, Dr
Reddys Laboratories e Ranbaxy Laboratories.