Ainda é cedo para Brasil cantar vitória, diz banco
mundial
O economista-chefe do Banco Mundial para a região da
América Latina e Caribe, Augusto de la Torre, afirmou
nesta quarta-feira, em Washington, que os países da
América Latina contaram também com a sorte para passar
com maior tranquilidade pela crise econômica e que ainda
é cedo para cantarem vitória.
"A América Latina contou também com um golpe de sorte. A
volta do apetite pelo risco contribuiu com sólidas
entradas de capital e intensificou a recuperação", disse
la Torre, durante reunião anual do Fundo Monetário
Internacional (FMI).
A entrada de capital na região em 2010 já é mais alta
que a vista em 2007, segundo o economista. "Mas estamos
vivendo um impasse global. Os emergentes não querem que
suas as moedas sejam valorizadas ante o dólar. Mas todos
sabemos que o dólar tem de depreciar para que haja uma
recuperação global", afirmou la Torre.
Quanto ao Brasil, o economista disse que "os
investidores de Wall Street estão esperando para ver
quais serão as políticas fiscais aplicadas pelo novo
governo".
De acordo com o economista, a América Latina ainda
enfrentará desafios e tensões devido a uma política
monetária sobrecarregada e uma posição fiscal
pró-cíclica, entre outros fatores.
No entanto, la Torre disse que a reação da América
Latina com respeito à crise financeira global foi bem
além das expectativas dos economistas do Banco Mundial.
"Eu mesmo tinha previsto que, em 2009, 10 milhões de
latino-americanos entrariam na pobreza, mas, na verdade,
foram só 2,1 milhões", disse la Torre.
Em 2009, a instituição havia estimado que a crise
resultaria em mais 3,5 milhões de desempregados na
região, mas o número de latino-americanos sem emprego
aumentou em 2 milhões.
"O impacto e a duração da crise na América Latina foram
semelhantes àqueles vistos nos Tigre Asiáticos", disse o
economista.
"Alguns países, como o Brasil, se recuperaram com uma
velocidade impressionante", afirmou.
O especialista do Banco Mundial diz que a "revolução
silenciosa" nas estruturas macroeconômicas da região
durante a década de 90 e a intensificação do comércio
com a China, além do aumento, em janeiro de 2009, dos
preços das matérias-primas, serviram como amortecedores
aos choques externos causados pela crise.