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Noticias de economia
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Europeus podem optar por volta de moedas nacionais
A União Européia e o próprio euro podem estar ameaçados
diante da crise econômica que se instaurou em países
como Irlanda, Grécia, Espanha e até Itália. Diante dos
déficits crescentes e a negativa de países como a
Alemanha em seguir fornecendo ajuda aos países em
dificuldades, cresce o risco de que algumas economias
optem por voltar a emitir moedas nacionais.
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A previsão é do economista e coordenador do
curso de economia da Faculdades de Campinas (Facamp),
Rodrigo Sabatini. Segundo ele, a União Europeia
passa por uma "situação realmente dramática, que
ameaça sua existência".
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Segundo ele, ao aderirem ao euro e abrirem mão de
emitirem moeda, países como Irlanda, Grécia, Espanha e
Itália passaram a ter dificuldade em assegurar o
pagamento dos títulos de sua dívida, que cresce diante
da crise econômica. Ao mesmo tempo, "outros países
europeus não estão dispostos a arriscar sua saúde
financeira - que não é essas coisas - e honrar a dívida
com seu capital", afirma Sabatini.
Isso ocorre no momento em que o bloco europeu tem dois
caminhos, diz o economista. "Ou os países aprofundam a
integração e estabelecem uma política econômica
solidária, honrando o endividamento público dos membros
em crise, ou vão partir para situação de salve-se quem
puder".
Neste momento, no entanto, os próprios gestores do Banco
Central Europeu (BCE) não querem mais fornecer ajuda
ilimitada aos países membros e exigem maior compromisso
com reformas, salienta Lia Valls, professora do
Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação
Getúlio Vargas (FGV).
Para exemplificar a recusa de países da UE de socorrer
as economias de países membros, Sabatini cita o caso da
Grécia. "Eles foram até o limite e postergaram o
problema. Com 30 (bilhões) ou 40 bilhões de euros teriam
resolvido a situação (da Grécia). Depois foi para 500
bilhões de euros o custo para convencer os mercados
financeiros (que a Grécia poderia honrar sua dívida)".
Nesta terça-feira, feira o presidente do Conselho
Europeu, Herman Van Rompuy, advertiu que o bloco
enfrenta uma "crise de sobrevivência" por conta dos
déficits na zona do euro. O ministro da Economia da
Alemanha, Rainer Bruederle, afirmou que "a ajuda a
países membros da União Européia não pode ser
ilimitada".
Contenção de gastos
Para continuarem a financiar o déficit de países com
problema, economias fortes da zona do euro exigem
reformas nos países em crise, que passam pela redução
dos gastos públicos.
França, Alemanha e Grã-Bretanha estão entre os países
que se opuseram aos parlamentares europeus e à Comissão
Europeia e rejeitaram o aumento proposto de 6% no
orçamento de 2011 do bloco, ao que o presidente da
Comissão Europeia (braço executivo da UE), José Manuel
Barroso, chamou de "golpe" na Europa.
"São compromissos fiscais cada vez mais pesados, que só
fará os países recolherem menos impostos", avalia Lia.
"A exigência da UE para honrar as dividas dos países em
crise são cortes fiscais imensos. Isso deixaria o
mercado satisfeito, mas a população vai sofrer muito. A
Espanha tem que lidar com uma taxa de desemprego em
torno de 20%. Como fará para movimentar a economia sem
gastos públicos?", questiona Sabatini. Segundo ele,
apenas o governo é capaz de investir na economia em
tempos de crise para promover uma política anticíclica,
"como fez o Brasil".
O retorno de moedas nacionais
Uma das soluções para a Irlanda e outros países na mesma
situação é voltarem a emitir moeda e abrir mão do euro.
De acordo com Sabatini, essa é uma solução dramática,
porém pode ser a única possível. "Claro que haveria
aperto inflacionário e grande desvalorização dessas
moedas, além da dificuldade em restabelecer a confiança
dos agentes econômicos domésticos, mas pode ser a
solução menos pior", afirma.
Nova onda de incertezas
O aparente aprofundamento da crise em países europeus -
na segunda-feira, estatísticas da UE mostraram que a
dívida da Grécia é ainda maior do que se pensava
anteriormente - aliada à falta de números consistentes
de crescimento da economia americana pode gerar mais uma
onda de incertezas e instabilidade na economia mundial,
de acordo com Lia Valls, economista da FGV.
Para Sabatini, o Brasil pode enfrentar alguma
turbulência no curto prazo, por conta do aprofundamento
da crise europeia. "Nestes momentos (de crise) há
aumento da desconfiança de investidores e eles podem
parar de fazer investimento em países que não sejam
reconhecidamente seguros. Vão para títulos do Tesouro
americano, por exemplo", afirma o economista.
A tendência de fuga de capitais de países onde o
investimento não é tradicional, no entanto, não deve
durar. "A situação financeira do Brasil está muito
melhor do que de qualquer um desses países (da Europa).
O otimismo é grande. A situação fiscal é estavel, a
relação dívida pública/PIB (produto Interno Bruto) está
caindo e ainda temos um volume de reservas
significativas. Não vamos sofrer impacto maior do que no
curto prazo", aposta Sabatini.
Entenda
Países como Irlanda e Portugal vivem situação
preocupante, e não se sabe se conseguirão lidar com seus
deficits sem a ajuda de fundos da União Europeia. A
necessidade de financiamento público da Irlanda está
garantida até meados de 2011, mas os bancos auxiliados
pelo Estado estão quase sem acesso a empréstimos
interbancários, dependendo do Banco Central Europeu para
obter fundos. Isso ajudou a elevar os custos de
financiamento de países periféricos da zona do euro,
como Espanha e Portugal.
Por enquanto, o governo irlandês calculou o resgate do
sistema financeiro em cerca de 50 bilhões de euros (US$
68,4 bilhões), o que poderá elevar o déficit público em
2010 para 32% do Produto Interno Bruto (PIB).
A Irlanda enfrenta pressão do Banco Central Europeu e de
países da zona do euro para tomar uma decisão rápida em
meio a sinais de que o contágio do mercado está chegando
a Portugal, podendo afetar outros Estados maiores. O
governo irlandês disse estar negociando maneiras de
estabilizar seus bancos e suas finanças e negou que um
resgate estatal seja necessário para impedir o contágio
de seus problemas em outros países.
O ministro das Finanças português, Fernando Teixeira dos
Santos, disse ao Financial Times que há um risco enorme
de que seu país seja obrigado a buscar ajuda
internacional, pois os mercados estão considerando
Grécia, Irlanda e Portugal como um único conjunto.
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