Aposentadoria; trabalhadores devem trabalhar mais e
receber menos
O aumento da expectativa de vida dos brasileiros
divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) nesta quarta-feira deve influir no
cálculo do fator previdenciário e fazer com que os
contribuintes recebam menos e trabalhem entre um e dois
meses a mais, segundo estudo realizado pelo professor da
Fipecafi-FEA USP e diretor da Conde Consultoria
Atuarial, Newton Conde. O achatamento médio do valor das
aposentadorias ficou em 0,4%, segundo o levantamento.

De acordo com o estudo, uma pessoa que começou as
contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social
(INSS) aos 20 anos e vai se aposentar com 57 terá um
benefício 0,43% menor em relação à tábua de mortalidade
anterior, que vigorou até o dia 30 de novembro. Com a
nova tabela, o benefício de um homem que contribuiu 37
anos e teve média salarial de R$ 2 mil cairá de R$
1.651,61 para R$ 1.644,58 aos se aposentar aos 57 anos.
No entanto, se um beneficiário escolher se aposentar aos
70 anos ou mais, ele sofrerá uma redução mais acentuada
em seu benefício (1,04%).
Isso ocorre porque o fator previdenciário leva em conta
a idade da pessoa, o tempo de contribuição e qual é a
sua expectativa de vida (baseada no IBGE). Segundo o
estudo, a estimativa de vida de quem pede aposentadoria
(entre 39 e 80 anos) aumentou em média 39 dias, o que
corresponde a um maior período de pagamento do benefício
pelo INSS.
Por exemplo, uma pessoa que pede o benefício aos 50 anos
tinha uma expectativa de vida de mais 28,90 anos em
2008. Já pela tábua de 2009, a estimativa passou para
29,00, um aumento de 36 dias, ou um pouco mais de um
mês, segundo a consultoria.
Apesar de o fator previdenciário ter sido criado para
desestimular que as pessoas se aposentassem mais cedo, e
com isso recebessem a contribuição integral por mais
tempo, com a tabela que valerá de 1º de dezembro de 2010
até 30 de novembro de 2011, a redução das aposentadorias
fica maior conforme maior a idade - pessoas mais velhas
terão menos tempo para diluir esse salário a mais do que
os brasileiros que se aposentarem posteriormente.
No entanto, segundo a tabela produzida por Conde,
aqueles que resolverem se aposentar aos 72, 74, 75 e 76
anos não terão que trabalhar nenhum dia a mais, já que
não tiveram suas expectativas de vida alteradas. Vale
lembrar também que a diferença valerá apenas para as
pessoas que vão requerer o benefício a partir de 1º de
dezembro e não para quem se aposentou até o mês passado.
A tábua de expectativa de vida mudará novamente.
O que acontece realmente, é que o rombo não para de
crescer não pelo aumento de expectativa de vida, mas sim
com desvios constantes do dinheiro da aposentadoria.