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Noticias de economia
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Ex-jogador pede fechamento de bancos e atrai seguidores
Conhecido por declarações sobre campos bem diferentes
dos de futebol, o ex-jogador francês Eric Cantona - um
ídolo na França e na Inglaterra, onde fez carreira -
atraiu milhares de seguidores em uma proposta de
destruição do sistema bancário. Em outubro, Cantona
sugeriu em um vídeo que as pessoas retirassem todo o
dinheiro que mantêm nos bancos, e na semana passada o
ex-craque prometeu, em entrevista ao jornal Libération,
que faria a sua parte nesta terça-feira.
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"A revolução é muito simples de ser feita hoje.
Ao invés de ir às ruas fazer quilômetros de
manifestações, você vai ao banco da sua cidade e
retira todo o teu dinheiro", conclamou o
ex-atacante da seleção francesa e ídolo do
Manchester United, argumentando que se 20
milhões de pessoas decidem fazer o mesmo, o
sistema bancário desmoronaria. "É uma revolução
sem armas, nem sangue. Estou constatando essa
estranha solidariedade que está nascendo, então,
sim, no dia 7 de dezembro, eu irei ao banco",
reiterou na quarta-feira, ao Libération. |
A polêmica foi imediata. Os meios de comunicação
franceses repercutiram a declaração e em poucas horas os
internautas começaram a se manifestar em sites e em
redes sociais, afirmando que fariam o mesmo. "O dinheiro
dos bancos é o nosso dinheiro e nós o ganhamos com muito
suor. Temos o direito de fazermos o que bem entendermos
com ele", disse Jean-Jacques Saliou, uma das pessoas que
promete acompanhar Cantona na "revolução". "Não podemos
continuar pagando os salários milionários dos grandões
das finanças sem dizer nada", afirmou Evelyne Maller.
O rumor aumentou a tal ponto que a ministra da Economia
Christine Lagarde comentou assunto, dizendo que "existem
pessoas que jogam magnificamente futebol, mas eu não me
arriscaria. Acho que cada um tem de se concentrar nas
suas competências".
No sábado - quando o número de aderentes à iniciativa em
uma página do Facebook chegava a 34 mil -, foi a vez do
ministro do Orçamento, François Baroin, ser mais severo
nos comentários, chamando a iniciativa de "grotesca e
irresponsável". "Cantona como conselheiro financeiro não
pode ser levado a sério. Cada um na sua área", disse
Baroin.
A ideia de Cantona já cruzou as fronteiras: na Bélgica,
a cenarista Géraldine Feullien abriu um site,
Bankrun2010.com, através do qual espera conquistar
seguidores no mundo inteiro. O endereço tem tradução em
oito línguas. "Com ou sem a nossa contribuição, esse
sistema bancário atual irresponsável vai explodir mais
cedo ou mais tarde. O melhor é nos prevenirmos e agirmos
desde já, guardando o nosso dinheiro em casa ou em
bens", defendeu Feuillien. "Independente dos resultados
desta ação, as pessoas terão a ocasião de pensar sobre o
imenso golpe que representa o sistema monetário de hoje.
É o momento de se exigir que se construa um outro que
seja verdadeiramente a serviço do cidadão."
Apesar da mobilização, especialistas afirmam que as
chances de uma catástrofe são mínimas. Mesmo que todas
as pessoas que prometem publicamente seguir o ex-jogador
de fato retirem as economias do banco amanhã, esse
movimento em massa representaria apenas 0,07% da
população da França, a contar pelas manifestações na
internet.
Antes de mais nada, nem todos poderiam retirar o
dinheiro da conta amanhã mesmo, porque os bancos não têm
liquidez para isso, ressaltou o economista Jézabel
Couppey-Soubeyran, da Universidade Paris 1 -
Panthéon-Sorbonne. Ele disse, no entanto, que se 20
milhões de pessoas decidissem retirar o seu dinheiro ao
longo de alguns dias, essa atitude colocaria os bancos
em risco. "Não é o mais adequado a se fazer para se
rebelar, porque, por mais descontentes que estejamos, o
nossos sistema todo ainda depende dos bancos."
Sem liquidez, os bancos cessariam os pagamentos e as
poupanças dos correntistas seriam as primeiras
prejudicadas. Os juros explodiriam e provocariam a alta
das taxas de inflação, levando a economia inteira de um
país ao desequilíbrio, já que os financiamentos - e
consequentemente, os investimentos - ficariam suspensos.
A revolução prejudicaria, sim, os bancos, que seriam
obrigados a decretar falência. Mas a medida extremista
também afetaria gravemente todo o restante da sociedade.
"Essa ideia de Cantona não é nada engraçada. Ela
colocaria todo o sistema em dificuldades, e as primeiras
a serem penalizadas seriam as pessoas comuns, que não
teriam mais acesso ao crédito", analisou Catherine
Lubochinsky, diretora do mestrado em Finanças da
Universidade Paris II - Panthéon-Assas. "O que ele quer?
Que voltemos à uma economia medieval baseada na troca?
Há meios de demonstrar insatisfação, mas esse
seguramente não é o mais inteligente."
Não foi a primeira vez que Cantona deu palpites em
outras áreas além do futebol. No ano passado, ele
comentou o endurecimento das políticas de imigração da
França e disse que a criação de um ministério da
Identidade Nacional era "coisa de idiota". Ele também
participou de uma ampla campanha por mais acomodações
dignas aos pobres, quando era seguidamente visto
criticando as políticas do presidente Nicolas Sarkozy.
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