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MEC veta aluno novo em 2 cursos de medicina
O Ministério da Educação determinou ontem a suspensão do ingresso de novos
alunos em dois cursos de medicina e cortou vagas do 1º ano de mais um.
A Unimes (Universidade Metropolitana de Santos) não poderá atender a 30 dos 80
alunos aprovados. A Universidade Severino Sombra, em Vassouras (RJ), e o Centro
de Ensino Superior de Valença (RJ) não poderão ter nenhum novo aluno.
As três instituições atingidas dizem já ter realizado seus processos seletivos,
em cada um dos quais foram aprovados 80 alunos. Segundo o governo, porém, elas
não têm condições para receber os estudantes.
As medidas foram tomadas após a avaliação de especialistas nomeados pelo MEC.
Entre os problemas apontados pelo ministério estão infraestrutura deficiente e
corpo docente pouco qualificado.
Além disso, são citadas disciplinas em desacordo com o que é exigido nas
diretrizes curriculares nacionais: "enfoque na atenção especializada e no ensino
hospitalocêntrico" na Unimes, "corpo clínico centrado em especialidades,
contrariando a diretriz nacional de formação generalista" no Centro de Ensino
Superior de Valença e "ênfase excessiva em disciplinas básicas e redução de
carga horária de disciplinas clínicas" na Severino Sombra.
Beatriz Rosa, 19, que entrou no vestibular da Unimes ficou sabendo da decisão do
MEC pelo site de relacionamentos Orkut, mas achava que o corte não atingiria os
vestibulandos que prestaram no ano passado. "Paguei uns R$ 4.000 de matrícula,
isso não pode acontecer."
De acordo com Maria Paula Dallari Bucci, secretária de Ensino Superior do MEC,
as deficiências mais graves terão de ser sanadas em até seis meses.
Caso isso ocorra antes, os cursos poderão receber mais alunos, desde que tenham
autorização do governo. Se a instituição não cumprir o que foi determinado no
prazo, o curso poderá ser descredenciado.
O MEC anunciou ontem também que irá celebrar um termo de compromisso com a
Universidade de Uberaba (MG). Como as deficiências do curso não foram
consideradas "gravíssimas", não há recomendação de corte de vaga.
O prazo para o cumprimento das exigências do MEC, em relação à infraestrutura e
à qualificação dos professores, entre outros pontos, é de um ano.
Os quatro cursos fazem parte de uma leva de 17 que obtiveram notas baixas no
Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), tanto na nota obtida pelos
universitários na prova, como no conceito que mede o conhecimento que as
instituições agregaram.
Em dezembro, a pasta anunciou suspensão do vestibular para medicina no campus de
Itaperuna (RJ) da Unig e redução das vagas dos vestibulares do campus de Nova
Iguaçu (RJ) da Unig e na Ulbra, em Canoas (RS). A Unig desrespeitou a
determinação e realizou o professo seletivo, que acabou sendo proibido pela
Justiça.
A Unimar (Universidade de Marília) também teve o vestibular suspenso, mas
comprovou ter sanado parte de seus problemas e obteve autorização para receber
50 alunos.
Outras oito instituições apenas assinaram termos de saneamento com o governo.
Outro lado
A Unimes (Universidade Metropolitana de Santos), que terá que reduzir vagas no
curso de medicina, afirma que não vai se pronunciar até receber o despacho
oficial do MEC -o documento enviado continha um erro no nome da instituição. O
ministério deve publicar uma correção no "Diário Oficial" da União nos próximos
dias.
O último vestibular da Unimes ocorreu em outubro. Segundo a escola, as aulas,
que começam em fevereiro, "vão prosseguir normalmente" até um novo documento ser
enviado pelo ministério.
O Centro de Ensino Superior de Valença, no Estado do Rio, diz já ter tomado
todas as medidas solicitadas no termo de compromisso do MEC. "Providenciamos as
adequações necessárias no projeto pedagógico e na estrutura curricular", afirma
uma nota da instituição.
Ainda segundo a escola, o projeto com as medidas adotadas será enviado ao
governo federal nos próximos dias. O vestibular já foi realizado e os alunos
estão no período de matrículas, diz a instituição.
A Universidade Severino Sombra, também do Estado do Rio, afirma não ter sido
notificada do caso pelo MEC.
A escola, que realizou seu último vestibular em dezembro, vai recorrer
judicialmente da decisão. De acordo com a instituição, as turmas já estão
definidas, e o curso será dado até haver notificação oficial.
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