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Cursinho semi-extensivo exige disciplina do
vestibulando
FERNANDA CALGARO
A matéria dada abrange o conteúdo completo das oito disciplinas do ensino médio.
Em vez dos três anos, porém, o vestibulando tem apenas quatro meses --tempo
escasso-- para revisar e tirar as dúvidas nos tópicos não aprendidos.
Por ter essa característica, o semi-extensivo, ou turma de agosto, como é
chamado em alguns cursinhos, é voltado para o aluno disciplinado e com bom
conhecimento sobre as disciplinas cobradas nos processos seletivos.
A opinião de professores é que a corrida contra o tempo vale a pena se o jovem
aproveitar o curso mais para refrescar a memória de um conteúdo visto. Há espaço
para aprender, mas os conceitos principais já devem ter sido estudados.
Em geral, dois perfis de vestibulandos procuram o semi: os que ainda estão no
último ano do ensino médio e aqueles que já faziam alguma graduação e resolveram
mudar de carreira.
No primeiro caso, é preciso levar em conta a dupla jornada na frente dos livros.
"O aluno do ensino médio deve analisar se o cansaço e o estresse gerados pelas
horas extras de estudo compensam. Se puder esperar o ano seguinte para fazer
cursinho, melhor", avalia Tatiana Adelina Martinez Pimentel Machado, orientadora
educacional do ensino médio do colégio Rio Branco, na capital paulista. Ela,
porém, faz uma concessão: "Se for um bom estudante, ele consegue conciliar
cursinho e colégio, mas a escola deve ser a sua prioridade".
"Ele deve tentar fechar as notas da escola no terceiro bimestre para ficar
tranqüilo", recomenda Edmilson Motta, coordenador do cursinho Etapa.
Para quem vai mudar de área, o semi pode ser bastante produtivo, opina Vera
Lucia da Costa Antunes, coordenadora do curso e colégio Objetivo. "Esse aluno em
geral é mais maduro até para se organizar nos estudos." Segundo ela,
independentemente do perfil do aluno, as sugestões valem para todos: "O aluno
deve acompanhar atentamente as aulas, fazer o maior número de exercícios
propostos e tirar as dúvidas logo em seguida para não acumular deficiências".
Heitor de Oliveira Arriero Amaral, 19, trancou a faculdade de química na USP
para tentar medicina no final do ano. "Vou fazer vestibular de novo porque vi
que tenho mais afinidade mesmo com a área de biológicas." O cursinho será pela
manhã, mas ele terá aulas à tarde em três dias da semana. "Vai ser bem puxado,
mas acho que, com disciplina, é possível", diz.
Com o ritmo intenso de estudos, os vestibulandos não podem descuidar da saúde e
da alimentação. Boas horas de sono contam pontos no rendimento. "É muita
matéria, mas o estudante não pode se matar de estudar, deve descansar e evitar
sair à noite", afirma Alberto Francisco do Nascimento, coordenador do curso
Anglo.
"Ainda bem que não sou muito "baladeira", porque agora tenho mesmo que me
dedicar aos estudos", conta Luiza Ricardi Neiva de Lima, 19, que desistiu de
sociologia e ainda está em dúvida sobre a escolha da carreira. "Cada um tem o
seu tempo até achar o seu lugar."
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