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USP terá cursos de graduação a distância
JOSÉ ERNESTO CREDENDIO
FERNANDA CALGARO
da Folha de S.Paulo
Um programa que envolve o governo de São Paulo e as três universidades estaduais
paulistas --USP, Unesp e Unicamp-- pretende criar um sistema de ensino superior
de graduação a distância, com ênfase na pedagogia, que prevê a abertura de 6.600
vagas já em 2009.
Segundo o secretário de Ensino Superior, Carlos Vogt, está definida a abertura
de 5.000 vagas no curso de pedagogia, da Unesp, 700 de licenciatura em biologia
e outras 900 de licenciatura em ciências, na estrutura da USP. Esses números
ainda podem sofrer mudanças.
O primeiro módulo do programa, conforme o plano, terá cursos de graduação para
ampliar a oferta de vagas na formação de professores em áreas básicas, como
línguas, física, química e biologia. Somente na rede estadual de São Paulo, há
25 mil professores sem diploma superior --10% do total.
O detalhamento do programa, chamado Univesp (Universidade Virtual do Estado de
São Paulo), vem sendo discutido desde 2007 por governo, universidades e outras
instituições associadas, como a Fapesp e a Fundação Padre Anchieta, mantenedora
da TV Cultura.
O governador José Serra (PSDB) disse que o projeto é "fundamental". "É um
instrumento novo, com um potencial grande, e nós temos que aprender, cada vez
mais, a aproveitá-lo. Vai ser muito importante no ensino direto para os alunos,
na formação de professores para complementar a sua formação universitária, na
sua reciclagem continuada", disse.
Depois, o governo pretende expandir a Univesp para o sistema de gestão de ensino
(cursos de capacitação oferecidos hoje pela rede estadual), além de cursos de
especialização e de mestrado e doutorado.
A idéia, afirma Vogt, é criar uma rede virtual de ensino superior chancelada
pelo prestígio acadêmico das estaduais.
Por meio da rede, o aluno poderá receber aulas, consultar uma biblioteca virtual
e acompanhar pela TV o material de apoio pedagógico. O restante do programa
pouco difere do ensino tradicional, com provas, aulas presenciais etc.
"Teremos um canal aberto 24 horas que repetirá a programação a cada oito horas",
afirma o secretário Vogt. A grade curricular ficará a cargo das universidades.
O projeto prevê ainda bibliotecas e o uso da rede de unidades de ensino para as
aulas presenciais -esse sistema, de acordo com o projeto, terá ao menos 70
pontos espalhados pelo Estado.
Instituto na USP
Na USP, a implantação dos cursos a distância de biologia e de ciências depende
de aprovação de comissões internas.
Segundo Gil da Costa Marques, presidente da comissão na USP que debate o tema,
outros institutos, como o de física, química e matemática, também foram
procurados para propor a criação de cursos, mas a discussão ainda está no
começo. "A idéia é instalar laboratórios em carretas, que seriam levadas de um
pólo a outro. Os pólos seriam os campi da USP, na capital e no interior."
A USP também estuda a criação do IAE (Instituto de Aprendizado Eletrônico), que
já está em estágio avançado. A Folha teve acesso ao projeto, que ainda falta ser
votado no Conselho Universitário. De acordo com o documento, elaborado por uma
comissão formada em dezembro de 2007, o IAE vai permitir a criação de uma
diretriz de ensino eletrônico e ampliar a oferta desse mecanismo.
Segundo Marques, o instituto daria suporte à Univesp e também coordenaria o uso
de recursos tecnológicos nos cursos presenciais, dando suporte operacional,
pedagógico e à produção do material didático.
O plano do IAE prevê cinco docentes e um corpo técnico, com custo anual de R$
1,19 milhão --0,05% do orçamento da USP, de R$ 2,3 bilhões.
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