|
Juíza manda parar a aprovação automática
em Várzea Paulista (SP)
do Agora
Alunos das redes municipal e estadual de Várzea Paulista
(54 km de São Paulo) terão novidades neste ano letivo. A
pedido do Ministério Público, a Justiça impediu que o
município e o Estado continuem a utilizar o programa de
progressão continuada com os alunos dos ensinos
fundamental e médio. A decisão, segundo o promotor
responsável pela ação civil pública, Fausto Luciano
Panicacci, é inédita no Brasil.
"Não conheço caso semelhante, que tenha discutido o tema
no âmbito municipal e estadual. Até agora ninguém havia
contestado o sistema como um todo", disse o promotor
Panicacci, que passou a estudar o modelo após receber
diversos relatos de pais que reclamavam da educação
recebida nas redes públicas.
"Eu mesmo já observei adolescentes que não conseguem
sequer assinar seus nomes. Houve também um caso de um
estudante que deveria estar na Apae [Associação dos Pais
e Amigos do Excepcionais], por ter deficiência, e chegou
à sétima série sem saber nada. Não se pode aceitar uma
situação dessas."
Na ação, Panicacci justificou que a ideia da progressão
continuada está distorcida no Brasil. "O modelo
transformou-se em mera promoção automática,
desestimulante do estudo, uma verdadeira maquiagem às
carências do sistema educacional."
A juíza Flávia Cristina Campos Luders aceitou o pedido
ao declarar que é "fácil constatar que a atual política
de ensino não tem sido satisfatória e não tem cumprido
aquilo que foi idealizado".
A decisão foi tomada por meio de tutela antecipada
--quando a Justiça toma decisão antes de o processo ser
finalizado. Por esse motivo, o resultado final da ação
ainda pode ser alterado. O promotor já espera que
prefeitura e governo estadual recorram.
Se a decisão for mantida e as redes insistirem em
aplicar a progressão continuada, uma multa de R$ 10 mil
terá de ser paga por cada aluno que passar de ano sem
conseguir a média 5 e uma frequência de 75% nas aulas.
A reportagem não conseguiu contato com o município de
Várzea Paulista para repercutir a decisão. O Estado
afirmou que não comentará a situação enquanto não for
judicialmente informado da sentença.
|