|
Piores faculdades crescem mais que a
média
As universidades consideradas piores pelo próprio
Ministério da Educação cresceram mais que a média do
setor em número de alunos entre 2006 e 2007, de acordo
com o novo Censo da Educação Superior, divulgado
anteontem.
O sistema como um todo cresceu 4,5% no período --passou
de 4,6 milhões para 4,8 milhões. Já as 454 instituições
que receberam as mais baixas notas (1 e 2) do MEC
aumentaram suas matrículas em 7,3% --de 548 mil para 588
mil.
Com isso, 12% dos universitários do país estudam em
escolas consideradas ruins. A nota é dada pelo IGC
(Índice Geral de Cursos) --que varia de 1 a 5-- e leva
em conta prova feita pelos alunos e critérios como
titulação de professores.
Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho
Nacional de Educação, Paulo Barone diz ser "extremamente
preocupante" que cursos mal avaliados há anos cresçam
sem melhorar a qualidade. Ele ressalta, porém, que isso
não pode servir de motivo para que a ampliação de vagas
pare.
"O MEC tem que ser duro com as instituições mal
avaliadas, não para inibir a expansão, mas para melhorar
a qualidade, que hoje deixa muito a desejar", diz.
Barone cita a redução de gastos com docentes, livros e
laboratórios como causas da falta de qualidade.
O consultor em ensino superior Raulino Tramontin afirma
que a situação tende a se agravar. "Muitas das pequenas
escolas estão morrendo e sendo compradas por grandes
grupos. Para terem poder aquisitivo e reduzir custos,
cortam mensalidades. E não dá para ter excelência com
baixo custo", diz.
"O governo deveria ter mais cautela na política de
expansão, principalmente em locais onde o número de
cursos está saturado e nem há docentes qualificados em
número suficiente."
Nota 1 e 2
Entre as escolas com notas 1 e 2, as que mais cresceram
foram a Faculdade Maurício de Nassau (PE), a Faculdade
Comunitária de Campinas (SP) e o Centro Universitário
Sant'Anna (SP). As três ampliaram em cerca de 3.000 o
número de matrículas. Cresceram, respectivamente, 78%,
68% e 48%.
As duas últimas obtiveram nota 2 no IGC. A Maurício
Nassau, que foi a que mais cresceu, teve média 1 (a mais
baixa).
Para estipular uma nota para a instituição, o MEC avalia
a qualidade dos cursos de graduação (com base no Enade,
questionários socioeconômicos e outros fatores) e de
pós-graduação (nota da Capes).
O indicador é utilizado pelos fiscais do ministério que
visitam as instituições periodicamente para avaliar se
elas têm condição de abrir cursos e se as vagas que já
são oferecidas podem seguir funcionando.
A Folha tabulou os dados de evolução de matrículas a
partir dos censos 2006 e 2007, feitos pelo Inep
(instituto de estudos e pesquisas do MEC).
Das 454 escolas com os piores desempenhos, 436 são da
rede privada (96%). Outras 16 (3,5%) são municipais. Há
ainda uma federal e uma estadual.
São Paulo é o Estado que mais concentra essas
instituições (25%), seguido de Rio de Janeiro, Paraná, e
Minas Gerais (7% cada um).
|