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Escolas públicas enfrentam a falta de
alunos em alguns Estados do país
Às vésperas do início de mais um ano letivo, enquanto a
população de alguns locais sofre com a falta de vagas na
rede pública, em outras partes do país o fenômeno é o
contrário: sobram escolas, faltam alunos.
As explicações vão desde mudanças no perfil das
populações até a migração de alunos da classe média para
a rede particular de ensino. Colégios do Distrito
Federal e do Rio Grande do Sul são exemplos dessa
mudança.
No primeiro semestre de 2008, foram fechadas 105
unidades de ensino no Rio Grande do Sul. Para a
secretária de educação do Estado, Mariza Abreu, a
explicação para o problema é demográfica. Segundo ela, a
população do Estado está envelhecendo, a taxa de
natalidade caindo e por consequência há um decréscimo
nas matrículas.
"Isso vem acontecendo em todo o Brasil e aqui talvez com
mais intensidade. A população na idade de 4 a 17 anos,
que é a idade da educação escolar, da pré-escola, do
ensino fundamental e do ensino médio, diminui todos os
anos", afirma a secretária.
Nas escolas gaúchas em que a procura por matrículas é
muito baixa, o restante dos estudantes são remanejados
para unidades próximas. De acordo com a secretária, o
prédio das escolas desativadas são utilizados para
"outras ações públicas" ou devolvidas para as
prefeituras.
No Distrito Federal, são as escolas do Plano Piloto que
ficaram esvaziadas. Localizadas em bairros de classe
média da capital, esses colégios costumam obter os
melhores resultados em avaliações educacionais, mas não
atraem a comunidade. Já na periferia de Brasília, o
governo está construindo mais escolas para conseguir
atender toda a demanda.
A secretaria de Educação Básica do Ministério da
Educação, Maria do Pilar Lacerda, acredita que o novo
fenômeno é uma questão de planejamento urbano. "Isso
acontece porque a cidade cresceu de uma maneira
diferente do que ela foi pensada e você não pode
transportar o prédio escolar, porque isso resolveria o
problema. Os dirigentes têm que resolver essa equação
que é reorganizar a oferta da educação pública", diz.
Enquanto nas cidades satélites muitas mães esperam na
fila para conseguir vagas para os filhos, no Jardim de
Infância da 108 Sul a diretora Francineide Coelho mandou
pendurar faixas na vizinhança avisando da
disponibilidade para receber mais alunos. A escola que
conta com piscina, parquinho, amplas salas de aula e
refeitório tem apenas 55 crianças matriculadas, um
quarto de sua capacidade.
"Quase 80% da nossa clientela são crianças que moram no
Entorno do DF, mas que os pais trabalham aqui perto. A
gente fica triste porque a nossa estrutura é bem melhor
do que muita escola particular. Os nossos professores
são comprometidos, mas a comunidade não se interessa",
afirma a diretora que ainda tem esperança de receber
novos alunos ao longo do ano.
Para a professora da Universidade de Brasília Regina
Vinhais Gracindo, também membro do CNE (Conselho
Nacional da Educação), o esvaziamento das escolas
públicas é resultado do processo de "privatização" que o
país viveu na década de 90. A educadora defende que o
governo precisa incentivar a população a procurar o
ensino público e investir, especialmente, na melhoria da
qualidade da educação.
"Nessa época se criou na cabeça das pessoas o modelo da
escola dual: a pública é para pobre, a particular é para
rico, uma presta, a outra não. E assim começou a crescer
a oferta da educação privada. Qualquer um que ganha um
pouco mais faz um sacrifício para tirar o filho da
escola pública. É verdade que a qualidade da educação
pública decaiu nos últimos anos, mas nós temos escolas
públicas excelentes e privadas que são péssimas", diz
Regina.
Para a secretária do MEC, aos poucos a classe média
brasileira está voltando a valorizar o ensino público.
"Em lugares em que a classe média volta à escola
pública, e em muitas cidades do Brasil isso tem
acontecido, o resultado é bom por diversos aspectos. A
escola fica mais democrática, não fica definida para uma
classe ou para outra, ela passa a acolher todos os
cidadãos brasileiros. Lembrando que a escola pública é
sustentada pelos nossos impostos, logo todos os
brasileiros têm direito a ela", afirma.
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