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Na volta às aulas, escola de SC dará
apoio psicológico a vítimas de enxurrada
É o início das aulas em uma escola de Ilhota (SC) e a
diretora pergunta aos alunos quem foi obrigado a deixar
suas casas em razão das enchentes de três meses atrás. A
maioria levanta a mão.
Uma garota diz que mora até hoje com 17 parentes. Mais
tarde, um menino diz ter visto a retirada de corpos dos
escombros. Uma menina da sexta série, ao ouvir relatos
da tragédia, chora. Garoava do lado de fora.

Na volta às aulas, escola de Santa Catarina dará apoio
psicológico a vítimas de enxurrada que mataram 135
pessoas em 2008
O trauma das enxurradas que mataram 135 pessoas em Santa
Catarina é tamanho que Maria José Debarba, a diretora,
diz ser melhor nem lembrar do assunto.
"Com 15 pingos de chuva, a gente já começa a ficar
preocupado, a levantar as coisas [dentro de casa]", diz
Giovani Petry, 12. Colega dele, Anderson Rinco, 14,
disse ter perdido três amigos e ter visto avalanches
"que pareciam cena de filme". Nas chuvas de novembro,
dois estudantes do colégio morreram.
Com cerca de 400 alunos, a própria escola Alberto
Schmitt, no Morro do Baú, foi atingida: uma quadra
esportiva ficou parcialmente destruída --as aulas de
educação física terão de ser feitas no pátio, rodeado de
lama. A poucos passos de uma das salas está um barranco
que deslizou na tragédia.
A diretora disse que vai providenciar auxílio
psicológico a alunos. "Muitos viram coisas que não
deveriam ter visto. Imagina como é para uma criança." Em
Ilhota, de 12 mil habitantes e a 112 km de
Florianópolis, 47 pessoas morreram pelas chuvas.
Abrigo
Até a última quarta-feira, a escola municipal Domingos
José Machado, também na cidade, ainda servia de abrigo
para três famílias. Matheus Correa Reinert, 13, estava
ali até duas semanas atrás --voltou ontem para o
primeiro dia de aulas. "É estranho, claro."
Após ficar isolado na localidade do Morro do Baú, ele
diz ter sido resgatado com os pais de helicóptero.
Agora, vive em uma casa alugada.
Segundo a diretora, Elaine Custódio, houve confusão
ontem: como as aulas foram interrompidas em 2008, os
alunos nem sabiam se haviam sido aprovados.
Em razão dos estragos, o ano letivo também começou
atrasado em Gaspar e Itajaí.
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