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Sumiço de papéis da merenda escolar vira
alvo de inquérito em São Paulo
O sumiço de documentos -dentro de um prédio onde
funcionam órgãos da Prefeitura de São Paulo- sobre a má
qualidade da merenda escolar virou alvo de inquérito
policial.
A polícia decidiu abrir a investigação na semana
passada, quatro meses e meio após ser informada do
desaparecimento dos relatórios de vistoria que apontavam
problemas na alimentação fornecida por empresas
terceirizadas aos estudantes da rede municipal.
A decisão foi divulgada pela Secretaria da Segurança
Pública depois de consulta da Folha sobre as
providências tomadas a partir do boletim de ocorrência
de supressão de documentos registrado em 8 de outubro.
O conteúdo dos relatórios, preparados pelo CAE (Conselho
de Alimentação Escolar, órgão independente que fiscaliza
a merenda), não se perdeu completamente porque, apesar
do sumiço dos originais, alguns conselheiros guardaram
em casa cópias dos principais papéis.
Entre as irregularidades registradas nessas vistorias
(realizadas em 2006 e 2007, num total de 135 unidades
visitadas) estavam alimentos em decomposição e salsicha
que era cortada em três para render mais.
As deficiências na comida e um suposto conluio entre
empresas para vencer a licitação dos serviços durante a
gestão Gilberto Kassab (DEM) são investigadas pela
Promotoria.
O extravio dos documentos do CAE (formado por
representantes do poder público, de professores e de
pais de alunos) foi facilitado por sua falta de
estrutura. O órgão não tem sala exclusiva e, por isso,
os relatórios estavam em um armário numa área cedida
pelo Departamento de Merenda Escolar em edifício onde
funciona a Secretaria Municipal de Gestão, na rua Libero
Badaró (centro).
O desaparecimento foi constatado quando um conselheiro
buscou acesso aos documentos no dia 23 de setembro.
A polícia diz que a abertura de inquérito policial no 1º
DP não ocorreu antes porque esperava os resultados de
uma sindicância da prefeitura.
O advogado criminalista Luís Flávio Gomes critica a
demora. "Se a polícia tomou conhecimento e não
investigou, houve uma anomalia. Nesse caso, não era
facultativo, era obrigatório. E a polícia não pode
subordinar suas decisões a nenhuma investigação
administrativa."
A Secretaria Municipal de Gestão afirmou que, "em função
da denúncia" feita pelo CAE na época, embora não
"houvesse registro público do conteúdo arquivado", "foi
proposta a criação de uma comissão de averiguação
preliminar", "ainda sem conclusão".
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