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Docentes da rede pública têm mais chances de ter doença
Os inúmeros desafios vivenciados por professores da rede
pública estadual podem refletir efeitos negativos na
saúde. De acordo com uma pesquisa realizada pelo curso
de Psicologia do Centro Universitário Cesmac, os
docentes apresentam mais tendência a desenvolver a
chamada Síndrome de Burnout do que os colegas que atuam
na rede privada de ensino.
Neste tipo de doença psicológica existe a manifestação
inconsciente do esgotamento emocional, que pode ocorre
por causa de grandes esforços no trabalho. As
características da síndrome são: agressividade,
irritação, desinteresse, falta de motivação, frustração,
depressão, angustia, e avaliação negativa do seu
desempenho. As manifestações fisiológicas também
aparecem: cansaço, dores musculares, falta de apetite,
insônia, frieza, dores de cabeça frequente e
dificuldades respiratórias.
O estudo desenvolvido pelas alunas Andressa Pereira
Lopes e Rita de Cássia Tenório Monteiro, sob a
orientação do professor mestre Édel Alexandre Silva
Pontes, teve como amostra quarenta professores que
lecionam nos níveis fundamental e médio - sendo que
vinte deles atuavam exclusivamente na rede pública,
enquanto os outros vinte exclusivamente na rede
particular. Todos eles responderam a um questionário
psicossocial, seguido do inventário Maslach Burnout,
intrumento aplicado para identificar os níveis da
síndrome entre os profissionais.
O inventário avaliou como os professores vivenciam o
trabalho em relação a: exaustão emocional, realização
profissional e despersonalização. No quesito exaustão
emocional e realização profissional o desempenho dos
professores da rede pública apresentaram índices médios
mais baixos.
A pesquisa apontou também que metade dos professores
tanto da rede particular como pública afirmaram que
gostariam de mudar de profissão. "O salário foi o motivo
mais citado entre os profissionais, seguido da falta de
respeito e interesse por parte dos alunos, além do
excesso de trabalho", disse Andressa.
"As relações familiares se transformaram. Hoje em dia,
em função da pressão e da alta competitividade do
mercado de trabalho, os pais são menos presentes na vida
dos filhos - o que torna a tarefa de educar uma tarefa
difícil diante do pouco tempo disponível. Então, a
escola passou a desempenhar um papel ainda mais
importante na formação das crianças e adolescentes",
analisa Rita de Cássia.
Como agente de transformação da sociedade, o professor é
um dos profissionais mais exigidos. Ele deve ser
dinâmico, criativo, estar sempre atualizado. "Ser
professor de uma escola particular significa ter
materiais didáticos suficientes e adequados para
ensinar; é atuar dentro de uma estrutura que proporciona
segurança física. Em contrapartida, tal profissional
precisa estar sempre atualizado, fazendo cursos, sendo
inovador para não correr o risco de ser demitido. Já o
professor da rede pública encara outros desafios. Embora
mantenha a estabilidade do emprego, esse profissional se
depara com precariedades do sistema de ensino
decorrentes da falta de investimento. Ou seja, sempre
irão existir vantagens e desvantagens nas duas
realidades de trabalho", diz o professor Édel Alexandre
Silva Pontes.
Segundo o educador, a instituição de ensino deve ficar
atenta às mudanças de comportamento e humor de seu corpo
docente porque ao desenvolverem a Síndrome de Burnout os
prejuízos são muitos em todo sistema educacional, como
faltas constantes, descumprimento de horários e queda no
desempenho geral dos alunos. "O professor acometido por
Burnout tem dificuldades em se envolver, falta-lhe
carisma e emoção quando se relaciona com os estudantes -
o que afeta não só a aprendizagem e a motivação dos
alunos, como também o comportamento deles", afirmou.
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