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Jovem sem formação derrota empreiteira na Justiça e ganha
bolsa
Uma jovem britânica recebeu uma bolsa de estudos para cursar a sonhada
faculdade de Direito após derrotar uma empreiteira na Justiça sem a
representação de um advogado.
Georgina Blackwell, de 23 anos, disse que já havia desistido de cursar
Direito para trabalhar no salão de beleza da família. Em um caso que foi
chamado de "uma luta entre Davi e Golias" quando ocorreu, em 2009,
Georgina representou a mãe, Sandra, no processo que evitou a ruína da
família.
Sandra havia negado o acesso da empreteira Bellway, uma das maiores do
país, ao jardim de sua casa, em Essex, a nordeste de Londres. A empresa
havia comprado uma fábrica antiga que pretendia demolir para construir
um condomínio. Uma das paredes nos fundos da fábrica ficava ao longo do
jardim, e a empresa precisava atravessar a propriedade da família para
demolir essa parede.
Alegando prejuízos, a empresa entrou na Justiça contra a mãe de
Georgina. O primeiro juiz decidiu em favor da empreiteira e determinou
que Sandra pagasse 25 mil libras (quase R$ 70 mil) em custos legais e
"uma soma de cinco dígitos" em indenizações pela interrupção do trabalho
da empresa. Segundo a família, esse valor arruinaria as suas finanças e
poderia levar à perda da casa.
Defesa
No entanto, Georgina resolveu assumir a defesa da família - mesmo sem
treinamento legal - e apelou na Alta Corte do país. Durante o processo,
ela conseguiu mostrar que a decisão anterior dava à empreiteira apenas
acesso parcial à área. A decisão anterior foi revertida e a Justiça
ainda ordenou a empresa a pagar uma indenização de 75 mil libras (mais
de R$ 200 mil) à família.
A história foi lida pelo executivo-chefe da faculdade BPP Law School,
Peter Crisp, que propôs à instituição oferecer a Georgina uma bolsa de
estudos no valor de mais de 10 mil libras (cerca de R$ 27 mil) por dois
anos.
"Ficamos muito impressionados com o caso de Georgina e acreditamos que
esta experiência será uma grande vantagem em sua carreira legal", disse
Crisp ao jornal The Independent.
O primeiro dia de aulas de Georgina na universidade, no centro de
Londres, foi quinta-feira. "Nunca sequer sonhei que eu seria capaz de ir
para a universidade", disse a aluna. "Eu pensava que tinha perdido minha
única chance."
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