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Jogos da Copa podem atrapalhar alunos na hora das provas
Como o Mundial de Futebol da Fifa coincidiu com o calendário de provas
de muitas escolas no Rio, pais e alunos tem travado uma batalha para
conciliar os horários dos estudos e os inúmeros jogos na televisão.
Segundo Renata, para que o filho se saia bem nas provas, uma dura
negociação teve que ser feita.
"Os jogos acontecem nos horários mais diferentes ao longo do dia. Para
que o Junior pudesse estudar e também assistir às disputas, tive que
negociar apenas uma partida por dia. No restante do tempo, ele se dedica
às provas. E em dias de jogos da Seleção, ele pode assistir a duas
partidas", explica.
Nem sempre é fácil para os pais controlar o tempo que os filhos se
dedicam às matérias escolares. Com jogos diários sempre às 08h30, 11h e
15h30, além de matérias, coletivas e uma infinidade de informações
relativas ao desempenho das equipes, a Copa do Mundo da África pode até
não ser um inimigo, mas tem se tornado um obstáculo a ser transposto,
principalmente por pais que trabalham fora.
"Outro dia Bruno quis faltar à aula para assistir ao jogo da França. Ao
dentista e ao curso de inglês, se eu deixar, ele não vai nunca. O pior é
ter que monitorar isso tudo por telefone", afirma a jornalista Ana
Cristina Fiedler, mãe de Bruno, 11 anos.
Os professores também têm encontrado dificuldade em fazer com que os
alunos se concentrem em sala de aula. Para a professora Alice Oliveira,
que dá aulas para o quarto e quinto anos do ensino fundamental em uma
escola do município, a Copa tem feito os estudantes ficarem um pouco
mais dispersos em sala. Para reverter esta situação, ela usa o Mundial a
seu favor, criando aulas que tenham a África como tema, além de
utilizar, nas provas, questões que envolvam as partidas.
Conter os ânimos dos alunos em sala de aula também tem sido uma tarefa
árdua. Afinal, como não discutir aquele lance mais ousado da seleção de
Gana ou a falta que o árbitro deixou de marcar a favor dos jogadores da
Eslovênia? Conseguir silêncio para dar continuidade às aulas tem exigido
que os professores, muitas vezes, tenham que participar da conversa dos
alunos também.
"Tem momentos em que é melhor deixar o assunto se esgotar do que ficar
gritando silêncio de dois em dois minutos. Comentar o lance e tentar, da
melhor maneira, utilizar aquele tema como pano de fundo para a aula
também tem sido uma boa estratégia", afirma Alice.
Aluna do quinto ano do ensino fundamental da escola Conjunto Praia da
Bandeira, na Ilha do Governador, Julia Rangel conta que, em sala de
aula, o único assunto que interessa a ela e aos amigos é a Copa. Em
período de provas na escola, tem dedicado pouco tempo para revisar as
matérias por causa das partidas, para desespero da mãe.
Segundo Alice, é importante que os alunos dediquem um tempo, mesmo que
entre um jogo e outro, para rever pontos importantes das matérias. Para
ela, com o término dos jogos às 08h30 da manhã, é mais fácil para os
alunos que têm aulas no horário da tarde estudarem antes das aulas. E a
proximidade das férias pode fazer com que os alunos se dediquem um pouco
mais, para assistirem aos jogos com mais calma depois que as aulas
terminarem.
"Não quero ficar pendurado em nenhuma matéria. Assim, vou poder ver
todos os jogos sem me preocupar com a escola E o melhor: como me saí bem
nas provas, minha mãe não vai ter do que se queixar", finaliza Bruno.
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