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Noticias de educação

 

Tecnologia, como games também pode ajudar alguns estudantes

Os games são parte importante da vida de muitos estudantes. Em fóruns online, internautas discutem estratégias, aprimoram jogadas e ensinam novos gamers a como progredir no mundo eletrônico. Para especialistas, se não pode vencê-los, junte-se a eles. Alguns games são tão reais que servem de fonte de aprendizado.
 


Donkey Kong, Chrono Trigger, Final Fantasy, Tycoon, God of War e Age of Empires são alguns dos games que ocupam as tardes de Diogo Fellini de Souza. O estudante de 20 anos, que já passou nos vestibulares de Engenharia Mecância, Engenharia Física e Engenharia Elétrica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) ainda não decidiu que profissão vai seguir. Porém, garante que os jogos eletrônicos sempre o ajudaram no vestibular, que ele promete repetir este ano para Ciências da Computação.

"O Age Of Empires, por exemplo, desenvolve o cérebro pra resolução de problemas, porque ensina que as coisas necessitam de uma certa estratégia e que não podem ser feitas de qualquer jeito. Além disso, aprendi muito sobre história e também aprimorei meu inglês", conta. Para Diogo, a maior contribuição dos games foi o de aprender a pensar: "Nesses jogos, muitas vezes a resposta não está na nossa frente e então temos que explorar e raciocinar pra conseguir avançar.Isso eu acho que me ajudou bastante para vida, principalmente pra me sair bem nas provas".

Rafaela Cosma, 19 anos, que divide seu tempo entre os controles do videogame e os livros para o vestibular de Ciências Sociais que vai prestar este ano, afirma que os jogos são ótimos para fixar conteúdos: "Games com abordagem de história, como a I e a II Guerra Mundial, me ajudaram na hora de gravar matérias do cursinho", diz a porto-alegrense.

Eucidio Pimenta Arruda, professor da Faculdade de Educação da UFU, em Uberlândia, Minas Gerais, também defende os jogos de videogame como fonte de aprendizado. Para o professor, que analisou o tema em sua tese de doutorado, a linguagem de ensino dos games é diferente da mecânica professor e aluno, e por isso deveria ser inserido na sala de aula:

"Nos jogos é errando que se aprende. Na escola, é acertando que se aprende. Além disso, os games possibilitam troca de estratégias, onde o mais experiente ensina o inexperiente e vice -versa. Já nos colégios, ainda existe uma certa dificuldade na aceitação de que o conhecimento não é produzido apenas pelo professor", diz.

Essa diferenciação entre as duas linguagens, uma de ensino tradicional e a outra através da tecnologia, possivelmente iria ajudar os considerados "maus alunos", mas que possuem ótimo despenho no mundo virtual. É o que explica Arruda: "Na minha tese de doutorado, a grande maioria dos jogadores analisados por mim não eram considerados bons alunos, segundo suas próprias palavras. Há um distanciamento entre escola e sociedade, que tem dificultado, de uma forma ainda invisível, o sucesso na formação dos alunos. O videogame poderia fazer a ponte entre as duas estruturações".

Arruda alerta para uma questão essencial: "Não podemos apenas inserir os jogos e deixar os jovens jogando, como se a aula fosse apenas entretenimento. Por outro lado, não podemos amarrar a linguagem típica do jogo na linguagem escolar, pois assim o jogo deixa de ser jogo e passa a ser material didático. É necessário ao professor conhecer o universo dos jogos, e estudar uma forma de o casar com a escola, conclui.

 

 

 

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