Mente feminina é mais propensa a
pensar em comida
O cérebro do homem tem mais "força de vontade" que o da
mulher para controlar o desejo de comida, indica estudo
com voluntários que ficaram 17 horas em jejum e depois
foram estimulados com imagens de seus alimentos
preferidos.

O experimento, realizado nos EUA, tem seu resultado
publicado na edição de hoje da revista "PNAS". Para o
estudo, os cientistas pediam aos participantes do teste
que tentassem inibir a fome, ignorando o estímulo visual
e pensando em outras coisas. Tanto homens como mulheres
conseguiam diminuir a fome. O cérebro masculino, porém,
revelou uma atividade menor nas áreas envolvidas com
regulação de emoções. O cérebro feminino, aparentemente,
continuava "ligadão" no desejo de alimento.
"Nosso estudo era sobre comparar a diferença de gênero
na capacidade de inibição do desejo de comida durante
estimulação. É sobre controle cognitivo", disse à Folha
o principal autor, Gene-Jack Wang, do Laboratório
Nacional Brookhaven, de Upton (EUA).
O estudo foi feito com 13 mulheres e 10 homens de peso
normal, com média de IMC (Índice de Massa Corporal) de
24,8, considerado normal.
Depois de estimulados, os cérebros dos participantes
eram examinados através de PET (tomografia por emissão
de pósitrons). Os cérebros dos homens que adotavam a
técnica de "inibição cognitiva" desligavam várias áreas
associadas à regulação da emoção, como a amígdala, o
hipocampo, a ínsula e o córtex orbitofrontal.
O estudo do grupo de Wang lembra que a capacidade de
controlar emoções é fundamental, e que danos nesse
sistema de inibição podem levar a distúrbios
alimentares.
A interação entre genética e ambiente tem levado a uma
epidemia de obesidade nos EUA, dizem os médicos. A
predisposição nos genes se alia à maior facilidade de
obtenção de alimentos calóricos demais.
"Nossa descoberta de uma falta de reação à inibição em
mulheres é consistente com estudos comportamentais",
escreveram os cientistas.
Bacon, pizza e chocolate
Os alimentos escolhidos para o teste vieram de uma lista
apresentada pelos pesquisadores. Havia legumes e
vegetais na lista. Mas os favoritos eram "bombas
calóricas": pizza, lasanha, cheeseburger, sanduíche de
bacon, queijo e ovo, sorvete ou bolo de chocolate.
"Gordura e açúcar provêm um monte de calorias. Levou
milhares de anos para os nossos ancestrais descobrirem
isso para nós. Não tínhamos o "luxo" disso até os
últimos quarenta anos, quando pudemos produzir grande
quantidade de comida a preço barato", diz Wang.
"Vários estudos recentes provaram que roedores que
recebem açúcar intermitentemente se tornam tão viciados
nele como se fosse álcool", diz Wang. Ele cita também
uma pesquisa que monitorou centenas de homens e mulheres
por 20 anos e mostrou várias diferenças no histórico de
peso.
Homens ganharam em média 4,5 kg por década; mulheres
tiveram ganho de 2,3 kg entre 1982 e 1992, e de 4,1 kg
de 1992 a 2002. Em 1982, 90% das mulheres tinham peso
normal, número que caiu para 74% duas décadas depois.
Entre homens, 79% tinham peso normal em 1982 e apenas
43% em 2002.
Entre os obesos (IMC acima de 30), os números foram
parecidos. Havia só 1% de homens ou mulheres obesos
quando adolescentes, mas o valor subiu para 8% entre
mulheres e 9% entre homens 20 anos depois.