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A ORIGEM HUMANA
Publifolha
David Burnie
A evolução humana é uma das áreas mais
discutidas da biologia. Houve época em que os
paleoantropólogos a viam como um processo quase linear,
com um número relativamente pequeno de ramos na árvore
familiar humana. Mas nos últimos anos novas descobertas
de fósseis revelaram que pelo menos meia dúzia de
espécies de hominídeos podem ter vivido em algum
momento. O interessante é que, de toda a família de
hominídeos, restamos apenas nós.
A família hominídea
Os hominídeos surgiram quando nossos ancestrais
finalmente se separaram dos macacos, divisão evolutiva
datada atualmente entre 6 e 8 milhões de anos atrás. Um
grande número de fósseis deixa claro que os hominídeos
surgiram na África e depois se espalharam para outras
partes do mundo. Os primeiros membros da família -
pertencentes ao gênero Ardipithecus - tinham muitas
características semelhantes às dos macacos, mas os
australopitecinos, que os seguiram, tinham a postura
ereta, assim como o cérebro ligeiramente maior. O Homo
habilis, que surgiu cerca de 2,4 milhões de anos atrás,
marcou o início da linhagem que levaria diretamente a
nós. Foi o primeiro capaz de fazer ferramentas de que se
tem notícia, e provavelmente o último de nossos
ancestrais a viver exclusivamente na África.
Em contrapartida, seu sucessor, o Homo erectus, se
espalhou pela Europa e também pela Ásia. Tendo surgido
há aproximadamente 2 milhões de anos, essa espécie era
muito mais hábil na construção de ferramentas, e cinzas
encontradas em sítios de fósseis indicam que também fez
uso do fogo. Ainda existem dúvidas sobre a nossa
evolução. E, para complicar um pouco mais, estudos
recentes levam a crer na coexistência, durante pelo
menos meio milhão de anos, entre H. habilis e H. erectus.
Visões conflitantes
Há duas explicações conflitantes a respeito da evolução
humana. Segundo a hipótese multirregional, os humanos
modernos evoluíram a partir do Homo erectus em várias
partes diferentes do mundo. Normalmente, esse tipo de
processo produziria várias espécies separadas, mas os
multirregionalistas acreditam que os primeiros humanos
freqüentemente cruzavam entre si, impedindo a formação
de espécies locais. Outra hipótese é de que os humanos
modernos evoluíram na África e depois migraram para
outras partes do mundo, substituindo os hominídeos que
já se encontravam ali.
Relógio mitocondrial
Para resolver essa questão, as evidências fornecidas por
seres humanos vivos são tão importantes quanto aquelas
fornecidas pelos fósseis. Esses dados modernos foram
tirados do pequeno DNA circular encontrado na
mitocôndria - as usinas energéticas das células vivas.
Ao contrário do DNA encontrado no núcleo das células, o
DNA mitocondrial (DNAmt) é uma herança intacta
inteiramente materna. O resultado é que as únicas
mudanças são as mutações aleatórias, que se estabelecem
ao longo do tempo. Desde o final dos anos 1980, vêm
sendo feitas tentativas para ler esse relógio DNAmt,
para datar o mais recente ancestral comum a todas as
pessoas que vivem na Terra.
Lá e cá
Até agora, dados obtidos a partir do DNAmt indicam que
os humanos modernos surgiram na África entre 140 mil e
300 mil anos atrás. Alguns pesquisadores supõem que eles
emigraram da África numa única onda, talvez por volta de
50 mil anos atrás, mas, segundo estudos genéticos
recentes, pode ter havido várias ondas, e a migração
também pode ter ocorrido na direção inversa. Quaisquer
que sejam as datas precisas, o DNAmt humano é muito
semelhante em pessoas de todo o mundo, indicando que
nossa espécie ainda é jovem - em outros primatas, o
DNAmt é bem mais diversificado.
Então havia um
Se a hipótese da origem africana for verdadeira, então o
que aconteceu aos hominídeos que já estavam na Europa e
na Ásia quando chegaram os homens modernos? Na época,
esses habitantes eram os neandertais - hominídeos de
estrutura forte com crânio maior do que o dos homens
atuais. Alguns paleoantropólogos acreditam que os
neandertais se misturaram com os seres humanos modernos,
mas a maioria suspeita que eles tiveram um destino mais
desolador. Apesar do tamanho do crânio, foram superados
tecnologicamente pelos recém-chegados. Por exemplo,
parece que os neandertais nunca inventaram armas que
pudessem ser atiradas. Depois de milhares de anos sendo
marginalizados, acabaram extintos.
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