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Hominídeo de 4,4 mi de anos pode esclarecer evolução
humana
Uma equipe internacional de cientistas divulgou pela
primeira vez um estudo abrangente e extenso sobre o
Ardipithecus ramidus, um antigo hominídeo que, há 4,4
milhões de anos, habitava a região hoje conhecida como
Etiópia. Ardi, como foi apelidado o esqueleto feminino
estudado pela equipe de especialistas, vivia na África
um milhão de anos antes de Lucy, a famosa
Australopithecus afarensis.
Os especialistas em evolução humana estão constantemente
à procura do ancestral comum entre o homo sapiens e o
chimpanzé, a espécie mais parecida com humanos hoje
existente. Ardi não é este ancestral comum, entretanto,
esclarece muito - ao mesmo tempo que surpreende
cientistas - sobre o que existiu entre Lucy e o
chimpanzé.

"Ardi nos encheu de surpresas, pois apesar de ser um
mosaico, apresenta características mais parecidas com às
dos humanos do que com às dos chimpanzés", disse C. Owen
Lovejoy, professor de antropologia da Kent State
University e um dos autores do estudo. Segundo o
professor, isto é uma prova de que os chimpanzés
evoluíram tanto quanto os humanos nos últimos 6 milhões
de anos. "A mão humana de hoje é mais primitiva que a do
chimpanzé atual", afirma Lovejoy.
O estudo do Ardipithecus ramidus também sugere que, há
quase 5 milhões de anos, estes hominídeos já cooperavam
uns com os outros. Em praticamente todos os primatas
machos, exceto no caso dos hominídeos, os dentes caninos
são grandes, pois servem como armas para ameaçar e
atacar oponentes. O Ardipithecus ramidus macho
apresentava caninos pequenos que não eram usados como
armas em conflitos dentro do grupo. Eles provavelmente
viviam em uma sociedade formada por casais específicos.
Os machos obtinham e compartilhavam alimentos com as
fêmeas que, por sua vez, cooperavam umas com as outras
nos cuidados dos bebês. O ancestral de Lucy vivia em uma
região silvestre que também era habitada por corujas,
papagaios, camundongos, morcegos, ursos, elefantes,
entre uma variedade de outros animais. Ardi
provavelmente era omnívora e se alimentava de frutas,
cogumelos, e, talvez, de alguns animais invertebrados
pequenos.
O esqueleto de Ardi, que inclui crânio com dentes,
braços, mãos, pélvis, pernas e pés, mostra que ela era
uma fêmea grande, medindo cerca de 1,20 m e pesando
aproximadamente 50 kg.
Apesar do corpo e do cérebro de Ardi serem semelhantes
em tamanho com os de um chimpanzé, ela caminhava ereta e
não se balançava entre árvores como os macacos de hoje.
Embora fosse bípede, ela podia subir em árvores de modo
mais eficiente que os humanos atuais. No entanto, Ardi
não era capaz de fazer longas caminhadas.
O primeiro fóssil do Aripithecus ramidus foi descoberto
em 1992, perto do vilarejo de Aramis, na Etiópia. Desde
então, já foram encontrados 110 fósseis desta espécie,
representando 36 indivíduos. Mas Ardi é formada por
partes de um esqueleto de um só indivíduo. Os
pesquisadores demoraram 17 anos para finalmente
divulgarem suas descobertas na edição de outubro da
revista Science.
"O que encontramos foi uma cápsula do tempo tão repleta
de conteúdos que foi preciso todos estes anos para
podermos analisar e relatar nossas descobertas", diz Tim
White, professor do Centro de Pesquisa sobre Evolução
Humana da Universidade da Califórnia em Berkeley e
principal autor do estudo.
"Dois séculos depois do nascimento de Charles Darwin,
podemos verificar que ele estava certo. Em ciência é
preciso termos evidências e não especular. Valeu a pena
esperar para sabermos mais sobre o hominídeo mais
próximo do nosso ancestral comum com o chimpanzé até
hoje conhecido", afirmou White.
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