Fêmeas de jacaré são mais fieis do que se imaginava
Um estudo realizado por cientistas de um centro de
preservação de jacarés em Louisiana, nos Estados Unidos,
sugere que as fêmeas da espécie não são tão promíscuas
como se imaginava. Os pesquisadores constataram que 70%
das fêmeas são "fieis" aos parceiros e, muitas vezes,
permanecem por muitos anos ao lado deles. As informações
são do site científico Live Science.

Os cientistas ficaram surpresos aos registrar que muitas
delas optaram por ficar com os mesmos parceiros durante
algumas épocas de acasalamento, já que estes répteis
vivem em populações densas com muitos machos livres
dentro do grupo. Entre muitas espécies do reino animal,
incluindo os bonobos - um tipo de primata como os seres
humanos - e as morsas, a promiscuidade é recorrente.
"Devido à densidade populacional entre os jacarés no
centro de vida selvagem Rockefeller, não esperávamos
encontrar fidelidade entre os exemplares", disse Stacey
Lance, pesquisador do Laboratório Ecológico de Savannah
River e autor do estudo. "Nenhum de nós esperava que o
mesmo casal de jacarés criado desde 1997 ainda estaria
se reproduzindo junto em 2005 e tendo novas ninhadas",
afirmou.
Segundo os pesquisadores, a descoberta representa a
primeira prova de fidelidade entre as espécies de
crocodilo existentes e foi realizada a partir da análise
de um grupo de fêmeas e do DNA de seus descendentes.
Entre cada 10 fêmeas, sete continuaram com o parceiro de
acasalemento entre 1997, 2002 e 2005, conforme a
pesquisa.
Este mesmo padrão de acasalamento é semelhante ao
comportamento de muitas variedades de aves. As espécies
de crocodilo são as únicas descendentes vivas do
primitivo arcossauro, um grupo de répteis pré-históricos
que deu origem às aves. A relação evolutiva entre
jacarés e aves oferece aos cientistas uma oportunidade
única para entender melhor os sistemas de acasalamento
de seus ancestrais e diversos dinossauros.
"Por meio da combinação de técnicas moleculares, fomos
capazes de entender coisas dos jacarés que jamais
havíamos conhecido de outra forma", concluiu Lance.
"Esperamos que futuros estudos também nos levem a
resultados inesperados e igualmente fascinantes como
este", acrescentou.