Pesquisadores descobrem origens do lobo das Malvinas
Uma análise genética ajudou a solucionar parte do
mistério sobre a origem de uma espécie que foi
encontrada em ilhas da costa argentina. O
lobo das
Malvinas tem deixado biólogos evolucionários
perplexos desde que Charles Darwin encontrou o animal
pela primeira vez durante a viagem na embarcação Beagle
nos anos 1830.
Ele era o único mamífero nativo das Ilhas Malvinas, que
estão a 483 km da costa da Argentina. Ninguém sabia como
ele havia chegado lá ou de quais animais continentais
ele descendia - e não ajudou o fato do lobo ter sido
caçado até sua extinção em 1876.

Mas usando uma análise genética, Graham J. Slater,
pesquisador de pós-doutorado da Universidade da
Califórnia, Los Angeles, e colegas resolveram parte do
mistério. O parente mais próximo do lobo das Malvinas,
eles escrevem no Current Biology, é uma espécie
sul-americana, embora os dois tenham se distanciado na
América do Norte.
Os pesquisadores obtiveram fragmentos de DNA de cinco
espécimes de museu, examinaram as variações entre as
amostras e comparam as mesmas com o DNA de espécies
vivas. Eles foram capazes de construir uma árvore
genealógica e uma linha cronológica de quando as
ramificações ocorreram. Estudos anteriores do lobo das
Malvinas sugeriram que ele tinha parentesco com as
raposas, mas o exame de DNA mostrou que seu parente vivo
mais próximo é um canídeo sul-americano, o lobo-guará.
Slater disse que a pesquisa mostrou que o lobo-guará e o
lobo das Malvinas tiveram um ancestral em comum pela
última vez há seis milhões de anos. "Mas os canídeos
apareceram na América do Sul apenas há dois milhões de
anos e meio", ele disse, após a formação do istmo do
Panamá. Ele disse ser bastante provável que as duas
espécies tenham evoluído na América do Norte e, então,
ao enfrentarem uma competição cada vez maior dos
canídeos que entraram no continente pela Ásia,
"conseguiram sobreviver indo para a América do Sul."
Slater disse que a pesquisa também parcialmente
respondia à pergunta de como os lobos chegaram às ilhas
Malvinas. Eles não poderiam ter sido trazidos às ilhas
por povos antigos, como alguns pesquisadores sugeriam,
porque o ancestral comum mais recente das cinco amostras
estudadas viveu pelo menos há 70 mil anos, muitos antes
da chegada dos humanos. Ao invés disso, ele disse, os
lobos devem ter flutuado sobre vegetação ou blocos de
gelo.