Onda gigante assusta moradores e causa destruição em SC
Uma "onda gigante" causou muito pânico e deixou um
rastro de destruição no final da tarde desta
quinta-feira em Florianópolis. O mar chegou a arrastar
carros e barcos e atingiu pelo menos oito restaurantes
no bairro Pântano do Sul, uma das mais tradicionais
comunidades de pescadores da capital catarinense. A onda
invadiu o bairro por volta das 17h, momento em que os
ventos chegaram a 80 km/h na região.

De acordo com os moradores, o mar recuou rapidamente e,
em seguida, a onda se formou e atingiu a costa. Com
aproximadamente 5 m de altura, ela arrastou tudo o que
estava na praia. Barcos chegaram a ser arremessados
contra restaurantes e carros. Um deles chegou a parar no
telhado de uma das casas. Um pescador sofreu ferimentos
leves.
Por sorte, não havia muitas pessoas na praia. Quando a
onda atingiu a costa e começou a invadir restaurantes e
arrastar barcos e carros, houve muito pânico e correria.
"Achei que fosse morrer ali e então corri para o
supermercado", afirmou a morada Mariza Emília Martins.
"Moro aqui há 52 anos e nunca vi uma coisa assim. Se
fosse num domingo, quando a praia está cheia, iria
morrer muita gente".
Após a onda, as embarcações foram recolhidas às pressas
por voluntários e populares e colocadas no meio da
principal rua do bairro. Por volta das 19h, os moradores
começaram a limpar restaurantes e tentavam recolher os
destroços. Pelo menos dez barcos de pescadores locais
foram destruídos ou danificados pela onda. Quatro carros
foram danificados e um deles, que chegou a ser arrastado
pelo mar e atingido por uma embarcação, permanecia na
areia à espera de um guincho. Pela praia, o rastro de
entulhos, pedras e destroços das cadeiras dos
restaurantes.
Entre os pescadores, o cenário era de total desolação. A
dona de casa Ana de Soares chorava ao olhar a destruição
no barco de seu filho. "Como é que ele vai trabalhar?
Uma vida inteira aqui e meu menino ganha a vida com esse
barco", disse.
Os moradores relatam que nunca haviam visto algo
semelhante no Pântano do Sul. Enquanto alguns afirmavam
se tratar de um "tsunami", outros diziam que a
tempestade ocorrida no final da tarde havia sido
"estranha". "A água cresceu de repente, tomou o costão e
foi levando tudo o que havia pela frente. A gente tem
maré alta e ressaca. Mas nunca vi a água subir pelas
casas e arrastar tudo assim", disse Fátima Campos, que
mora à beira da praia há mais de 30 anos. "É uma coisa
desesperadora, os barcos e os carros pareciam de papel.
A gente acha que coisas assim só acontecem pela
televisão".
A Defesa Civil de Santa Catarina confirmou a ocorrência
da onda, mas a considerou como um "fato isolado". De
acordo com o gerente do órgão, major Emerson Emerim, a
entrada de ventos fortes ocasiona o aumento da água na
região do Pântano do Sul. "Tivemos ventos de 90 km/h em
Florianópolis e, como aquela região é mais baixa, essa
onda, ou ondas, entraram com muita força e altura. Os
danos foram materiais", disse.
A chuva continua no estado durante toda a madrugada, o
que preocupa a Defesa Civil. "Temos registrado chuvas
fortes e com muitas descargas elétricas (raios).
Estaremos em alerta nas próximas horas", afirmou o
major.