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Humanidade deve
se preparar para debates �ticos, diz Nobel de
Qu�mica
Centenas de participantes se reuniram nesta
ter�a-feira na 64� Reuni�o Anual da Sociedade
Brasileira para o Progresso da Ci�ncia para ouvir a
palestra do cientista israelense Daniel (Dan)
Shechtman, ganhador do Pr�mio Nobel de Qu�mica de
2011. Na apresenta��o, o pesquisador apontou que
rejeita a conex�o entre ci�ncia e religi�o. "As duas
coisas n�o est�o ligadas e t�m caminhos diferentes.
Assuntos �ticos e morais v�o ficar cada vez mais
profundos com a proximidade da manipula��o gen�mica.
A humanidade deve se preparar para esses debates",
disse.
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Dando uma aula de
qu�mica, o cientista explicou como descobriu
uma nova categoria de materiais s�lidos, os
quasicristais. De acordo com Shechtman,
antes de suas conclus�es, os cientistas
acreditavam que a mat�ria s�lida era feita
sempre de �tomos organizados em uma ordem
definida, que podia ser repetida diversas
vezes para formar uma estrutura de cristal.
Mas sua descoberta mostrou que os �tomos n�o
tinham apenas um arranjo que podia ser
repetido. Em 1982, ao analisar as imagens de
um material se deparou com um formato que
seria imposs�vel de existir at� ent�o. |
foto:
jornaldabahia.net
Shechtman contou que, na �poca, encontrou v�rias
obje��es e resist�ncias no meio acad�mico e que
chegou a ser retirado do seu grupo de pesquisa.
Segundo ele, outros pesquisadores o acusaram de ter
cometido um erro muito simples. O cientista
israelense n�o desistiu de sua pesquisa e, dois anos
depois, em 1984, publicou seu trabalho na revista
Physical Review Letters.
Ap�s a descoberta dos quasicristais, os s�lidos
passaram a ser classificados como cristais, amorfos
e quasicristais. A partir do novo material, a
empresa sueca Sandvik criou uma esp�cie de a�o,
usado em produtos como l�minas de barbear e em
agulhas finas feitas especificamente para cirurgia
de olhos. Shechtman afirmou que sua persist�ncia e
confian�a na pesquisa foram essenciais para concluir
seu trabalho. Ele incentivou os jovens que lotaram
sua confer�ncia a ouvir sempre as opini�es dos
outros, mas lutar pelo que se acredita.
O cientista destacou, ainda, o que considera serem
os tr�s gargalos da ci�ncia: a limita��o do idioma,
o investimento em educa��o e o or�amento. "A ci�ncia
� universal, mas o idioma pode ser um obst�culo. A
l�ngua do mundo cient�fico � o ingl�s, e nem todos
cientistas falam o idioma. A educa��o tem que
come�ar muito cedo e ter alta qualidade. Crian�as
devem ter contato com a ci�ncia j� na pr�-escola". O
pesquisador disse ainda que or�amento para pesquisa
deve ter um fluxo cont�nuo, pois sem ele "n�o h�
ci�ncia".
Shechtman nasceu em 1941 em Tel Aviv e � professor
dos departamentos de Engenharia de Materiais do
Instituto Tecnol�gico de Haifa, em Israel, e de
Ci�ncias dos Materiais da Universidade Estatal de
Iowa, nos Estados Unidos. O cientista conquistou o
pr�mio da Sociedade Europeia de Investiga��o de
Materiais (2008), o Gregori Aminoff da Real Academia
das Ci�ncias da Su�cia (2000), o Wolf de F�sica
(1999), o Rothschild de Engenharia (1990) e o Pr�mio
Internacional por Novos Materiais da Sociedade
F�sica Americana (1988).
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