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'Isso é vida de cachorro', lamenta moradora de favela incendiada
O incêndio que atingiu a favela do Moinho na manhã desta
segunda-feira, na região central de São Paulo, foi o 34ºde grandes
proporções a ser registrado na capital paulista e, em todos eles, um
drama se repete após o combate às chamas: o destino de moradores que
não têm para onde ir. Com os dois filhos e o marido, Flávia Maria da
Silva, moradora da favela do Moinho, diz que, mais uma vez, perdeu
tudo em um incêndio e que não sabe o que fazer. "Isso é vida de
cachorro, eu estava dormindo e meus filhos vieram gritando: 'fogo!
Fogo!' Acho que perdi tudo", disse.
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"Quando saí de casa, vi que o fogo estava
muito alto. Só tive tempo de pegar uma
mochila e sair. O que temos é só a nossa
vida, é a única coisa que temos. Mas o
pessoal do Planalto tá lá em Brasília vendo",
disse a moradora, se referindo ao Congresso
Nacional e questionando a falta de moradia
nas grandes cidades. |
Sem parentes em São Paulo, o destino da família de Flávia,
provavelmente, será a rua. "Não tenho casa nenhuma para ir, vou para
rua mesmo. Não tenho opção, minha família é toda do Nordeste. Eu vou
ver o que vou conseguir fazer."
O incêndio que atingiu a favela nesta segunda deixou pelo menos uma
pessoa morta e é o segundo registrado na comunidade em menos de um
ano. Em dezembro de 2011, outro incêndio destruiu a maioria das
moradias da comunidade, também deixando uma vítima fatal.
Com o primeiro incêndio ainda na memória, Deonice Barbosa dos
Santos, 52 anos, parece não acreditar no que aconteceu hoje. "Só
queremos uma moradia para pagar água e luz. Isso parece brincadeira,
pois vai fazer um ano (do outro incêndio) e isso é muito triste,
pois labutamos tanto e é isso o que acontece", lamentou.
O incêndio desta segunda-feira atingiu entre 40 e 60 barracos,
segundo o Corpo de Bombeiros, em uma área de 2 mil m². Moradora da
favela há 20 anos, Claudete Ramos, 53 anos, já presenciou outros
incêndios, mas acabou sendo pega de surpresa por este. "Eu estava
dormindo e acordei com o barulho. Saí só com a roupa que estava no
corpo. Minhas coisas estavam todas lá dentro. Desde o ano passado a
prefeitura está nos enrolando, prometendo moradias e até agora
nada", reclamou a moradora.
De acordo com a Secretaria Municipal de Coordenação das
Subprefeituras, a situação era analisada pela subprefeitura da Sé e
seriam estudadas ações para auxiliar os moradores que perderam suas
casas.
THIAGO TUFANO - Terra
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