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30% das terras indígenas na Amazônia sofrerão
impacto por causa de hidrelétricas
Carolina Gonçalves Repórter da
Agência Brasil Belém - Mais de 30% das terras
indígenas na Amazônia vão sofrer algum tipo de
impacto com a construção das hidrelétricas previstas
para a região, na avaliação do procurador Felício
Pontes, do Ministério Público Federal (MPF) no Pará.
Para ele, o projeto do governo brasileiro, que prevê
a instalação de 153 empreendimentos nos próximos 20
anos, também vai afetar a vida de quase todas as
populações tradicionais amazonenses.
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Quase
todas as matas atlânticas já foram
destruídas pelo "governo" brasileiro, resta
pouco para que a Amazônia também chegue ao
fim.
Com esta atitude irresponsável e assassina
do "governo", o calor será insuportável para
a vida e inviável a sobrevivência da
agricultura, Brasil já agoniza e todos os
cidadãos terão morte lenta e sofrida com
temperaturas acima de 50 graus.
A justiça brasileira continua como sempre
foi, cega, surda e muda, apenas espera pelo
pior... |
''Aprendemos isso da pior maneira possível'',
avaliou Pontes, destacando o caso de Tucuruí, no
Pará. A construção da usina hidrelétrica no
município paraense, em 1984, causou mudanças
econômicas e sociais em várias comunidades próximas
à barragem.
No município de Cametá, por exemplo, pescadores
calculam que a produção local passou de 4,7 mil
toneladas por ano para 200 toneladas de peixes desde
que a usina foi construída.
Pontes lembrou que tanto a legislação brasileira
quanto a Convenção 169 da Organização Internacional
do Trabalho (OIT) determinam que as autoridades
consultem as comunidades locais, sempre que existir
possibilidade de impactos provocados por decisões do
setor privado ou dos governos.
Mas, segundo ele, esse processo não tem sido
cumprido da forma adequada. Para Pontes, o governo
brasileiro precisa se posicionar sobre as
comunidades e os investimentos previstos para
infraestrutura. Na avaliação do procurador, o
posicionamento virá quando o Supremo Tribunal
Federal (STF) julgar, no próximo ano, ação que trata
da falta de consulta prévia às comunidades
tradicionais antes da construção do Complexo de Belo
Monte.
''O STF vai definir qual será a posição brasileira'',
disse, defendendo a exigência do consentimento das
comunidades indígenas e povos tradicionais antes do
início das obras. Os projetos de infraestrutura
previstos pelo governo na região dominam os debates
do Fórum Amazônia Sustentável, que ocorre em Belém
(PA).
Representantes de organizações ambientais e alguns
poucos empresários discutem, desde ontem (5),
soluções para impasses entre a infraestrutura
necessária identificada pelo setor privado e a o
retorno dos investimentos para as comunidades locais.
''Já vivemos vários ciclos diferentes na Amazônia e
estamos reproduzindo o antigo olhar da Amazônia como
provedora de recursos para o desenvolvimento do país
e do mundo e, nem sempre, as necessidades de
desenvolvimento da região'', disse Adriana Ramos,
coordenadora do evento e do Instituto Socioambiental.
Segundo ela, a proposta do fórum é chegar a um
''debate do como fazer'', já que os movimentos
reconhecem que o governo não vai recuar dos projetos.
''É possível ter na Amazônia a compatibilização de
diferentes modelos de desenvolvimento, mas, mesmo a
grande estrutura para atendimento de demandas
externas pode ser mais ou menos impactante.
Infelizmente, ainda estamos fazendo da forma mais
impactante'', lamentou. Adriana Ramos criticou a
falta de investimentos prévios em projetos como o de
Belo Monte.
Para ela, o governo teria que prever o aumento da
população e, consequentemente, a pressão por mais
serviços públicos, como saneamento e saúde em
municípios como Altamira, no Pará.
''Além de serem feitas sem essa
preocupação existe um esforço dos setores para a
desregulação dessas atividades, com mudanças como a
do Código Florestal e da regra de licenciamento'',
acrescentou, explicando que, agora, órgãos como a
Fundação Nacional do Índio têm 90 dias para
responder se determinada obra impacta uma terra
indígena.
''Se não responder, o processo de licenciamento anda
como se não houvesse impacto sobre terra indígena.
Esse tipo de mudança legal sinaliza que não há
vontade de encontrar o caminho certo, há vontade de
se fazer de qualquer jeito.
É desanimador'', lamentou. O fórum termina
sexta-feira (7) com um documento que vai orientar
todos os debates e ações das organizações ambientais
a partir do ano que vem, em relação a temas como a
regularização fundiária na região, o debate sobre
transporte e cidades sustentáveis e repartição e uso
sustentável de recursos das florestas.
A repórter viajou a convite do Fórum da Amazônia
Sustentável Edição: Carolina Pimentel.
Agência Brasil
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