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Tributação no Brasil é
maior que em 17 países da OCDE
Levantamento mostra que
na América Latina o país tem a maior proporção de
tributos em relação ao PIB no período de 1990-2009.
As receitas tributárias brasileiras cresceram "consideravelmente"
nas últimas duas décadas em relação ao Produto
Interno Bruto (PIB) e atingiram níveis superiores
aos verificados em muitos países da Organização para
a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A
constatação é do documento Estatísticas sobre
Receita na América Latina, divulgado nesta
terça-feira. No relatório, a entidade destaca ainda
que, em 2010, a proporção dos tributos no Brasil em
relação ao PIB foi maior do que em 17 países da
OCDE, incluindo Austrália, Canadá, Japão, Nova
Zelândia, Espanha, Suíça e Estados Unidos.
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"Historicamente, o
Brasil tem sido o país da América Latina com
a maior proporção de tributos em relação ao
PIB durante o período de 1990-2009 (mas, em
segundo lugar, depois da Argentina em 2010),
mostrando percentuais semelhantes à média da
OCDE, especialmente depois de 2004", diz o
documento. |
Segundo o estudo, dois
anos atrás, a relação entre a arrecadação de
impostos e o PIB foi de 19,4% para os 15 países
latino-americanos e de 33,8% para todos os países
que integram a OCDE. Em relação especificamente ao
Brasil, os impostos representaram 32,4% do PIB (ante
28,2% do PIB em 1990), ficando atrás apenas da
Argentina (33,5%).
No tocante à estrutura tributária, o documento
destaca que o porcentual de impostos indiretos – e
particularmente do ICMS – é alto no Brasil na
comparação com os demais países da OCDE. A avaliação
feita é que as elevadas receitas provenientes da
tributação indireta no país estão ligadas a quatro
formas distintas de ICMS, que são arrecadados pelos
estados, o que torna o sistema complexo.
Renda – No caso da tributação direta, o estudo
mostra que as receitas tributárias de impostos sobre
os rendimentos e lucros têm desempenhado um papel
secundário como fonte de receita na América Latina,
mesmo com a tendência de alta observada de
1990-2010. Esses tributos também cresceram no Brasil,
mas, segundo o levantamento, em ritmo mais lento que
a média na região.
As receitas de impostos sobre a renda da pessoa
física foram consideradas "especialmente baixas". Em
contrapartida, as contribuições para a previdência
compõem uma proporção significativa das receitas
tributárias totais do Brasil nas últimas duas
décadas, atingindo níveis próximos aos da OCDE. "Em
certa medida, isto é explicado pela grande variação
nos regimes de previdência da América Latina. A
previdência representa a maior parte das receitas em
países que têm regimes públicos e mistos, como
Brasil, Costa Rica, Equador, Panamá, Paraguai e
Uruguai", diz o documento.
Os impostos
sobre rendimentos e lucros no Brasil atingiram 6,9%
do PIB em 2010, ante 4,8% nos países da região e
11,3% nos países da OCDE. As contribuições
previdenciárias representaram 8,4% do PIB no Brasil
no mesmo ano (3,6% nos países latino-americanos e
9,1% nos integrantes da OCDE).
O estudo ainda observou uma tendência de crescimento
da participação das contribuições sociais e
trabalhistas no total da arrecadação de impostos do
Brasil entre 1990 e 2010, com níveis superiores ao
da média da região e entre países da OCDE.
Segundo o levantamento, em 2010, a proporção média
do total de receitas geradas pelos impostos diretos,
contribuições sociais, previdenciárias e
trabalhistas em relação ao PIB foi de 16,2% no
Brasil, de 20,8% nos países da OCDE e de 8,5% na
região latino-americana. A tributação sobre
propriedade no Brasil atingiu 1,9% do PIB em 2010,
ficando próxima aos níveis dos países da OCDE (1,8%)
e acima dos países da região (0,8%).
(com Estadão Conteúdo)
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