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Organizações criticam plano
australiano de controlar conteúdo na rede
Um plano do governo da Austrália de filtrar o conteúdo de internet está gerando
polêmica no país. Algumas organizações afirmam que esse pode ser o começo de um
processo de censura do Estado sobre a rede.
O ministro das Comunicações, Stephen Conroy, quer que o conteúdo da web no país
passe a ser filtrado, para evitar que crianças tenham acesso a conteúdo
pornográfico ou violento. Pelo plano, os provedores teriam que implementar
mecanismos que bloqueiem conteúdos inapropriados para certos assinantes
residenciais ou para escolas.
Conroy nega que a medida vá prejudicar a liberdade existente na rede ou que a
determinação seja um passo na direção do que ocorre na China, por exemplo, onde
sites são comumente bloqueados pelo governo.
"Se as pessoas igualarem liberdade de expressão com assistir a pornografia,
então o governo trabalhista de Rudd [Kevin Rudd, primeiro-ministro australiano]
vai discordar", diz.
Mas o diretor da Australian Privacy Foundation, Roger Clarke, afirma que o
plano, além de ser ineficaz, poderia trazer efeitos colaterais notáveis.
"Muitas páginas que não deveriam ser bloqueadas acabarão sendo bloqueadas",
afirma. "Nós não precisamos disso. Precisamos de uma internet livre".
Missão dos pais
Segundo Clarke, pais e responsáveis --e não do governo-- têm o papel de proteger
as crianças de conteúdo inapropriado.
"Não é papel do governo controlar o fluxo de informações", acrescenta. "Isso é o
tipo de coisa que acontece em países opressivos, em países autoritários".
Peter Coroneos, porta-voz da Internet Industry Association, afirma que os
provedores já oferecem gratuitamente esse tipo de filtro e que as empresas do
setor não estão absolutamente certas de que o plano funcionaria.
"Até o momento nós não sabemos qual é a extensão disso, quanto vai custar, e se
vai abrir precedentes para outras mudanças", afirma.
Segundo o ministro Conroy, os internautas poderiam optar por ficar fora do
sistema e manter o acesso a esse tipo de conteúdo. De acordo com ele, o governo
vai trabalhar com as empresas do setor para assegurar que os filtros não
prejudicassem o serviço.
"As pessoas vão fazer todo tipo de declaração sobre o impacto da medida na
velocidade [de conexão com a rede]", disse. "Por isso estamos comprometidos em
trabalhar construtivamente com o setor, em fazer testes para encontrar um modo
de implementar isso do melhor modo possível".
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