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Blog policial com críticas a José Serra é tirado do ar pela Justiça
MARINA LANG
colaboração para a Folha Online
A blogosfera policial, que vem aumentando sua popularidade com o surgimento de
páginas como Segurança Pública, Cultcoolfreak e Diário de um PM, sofreu uma
baixa. O flit-paralisante.blogspot.com saiu do ar.

O "Flit Paralisante" (referência a um antigo inseticida) ficou conhecido por
abordar a rotina dos policiais civis no Estado de São Paulo. Em tom de denúncia,
seus textos criticam as estruturas internas da corporação e o governador José
Serra (PSDB).
"Não sei dizer por que, exatamente, o blog saiu do ar, mas foi em duas ocasiões:
a primeira em 30 de outubro [de 2008] e essa de janeiro. A representação, da
última vez, trouxe como vítimas o governador José Serra e outros", diz o autor
do blog, o delegado da Polícia Civil em São Vicente (65 km de São Paulo),
Roberto Conde Guerra.
Com a derrubada do endereço eletrônico, ocorrida em janeiro, Guerra reativou seu
espaço na rede pelo servidor Wordpress, no qual permanece em funcionamento (flitparalisante.wordpress.com).
"Quando apagaram o blog, deram a entender que eu era anônimo. Nunca escrevi
escondendo minha identidade. Nada ali afeta a idoneidade do governador",
defende-se.
O blogueiro suspeita que a primeira retirada do ar (30 de outubro) tenha
ocorrido pelos "desabafos" sobre o confronto entre polícias e a ação desastrada
na morte de Eloá.

Um ofício judicial, ao qual a Folha Online teve acesso, foi enviado à Guerra
pelo próprio Google, detentor do domínio blogspot.com. Entretanto, o documento
não solicita a retirada do blog do ar --mas pede dados cadastrais do autor e
endereços virtuais (IPs) utilizados por ele para a publicação.
O delegado José Mariano de Araújo Filho, da Delegacia de Crimes em Meios
Eletrônicos, foi o responsável pelo inquérito contra o Flit Paralisante. Embora
o nome do governador José Serra apareça no ofício judicial, Araújo Filho diz que
o "governador de São Paulo não é parte".
Procurado, o Palácio dos Bandeirantes não quis se pronunciar --tampouco o Google,
que diz apenas cumprir um pedido da Justiça.
Diego Padgurscchi/Folha Imagem
Policiais militares em confronto com tropa civil, em outubro; críticas ao
Executivo seriam motivo da retirada do blog
Delegado X delegado
"[A retirada do blog] foi uma medida cautelar, pois se trata de um funcionário
público, e o site foi usado como veículo de difusão de calúnia, injúria e
difamação", alega Araújo Filho. A medida cautelar é um ato preventivo, que é
deferida pelo juiz quando há a comprovação de lesão de qualquer natureza ou
motivo justo. Ela pode ser autorizada pelo juiz sem que a outra parte tome
conhecimento. Também é provisória, ou seja, há um prazo para que o autor mova a
ação principal.
Joel Silva/Folha Imagem
Governador José Serra é situado como uma das vítimas em inquérito policial que
retirou endereço de blog "Flit Paralisante" do ar
O nome do governador está ali, segundo ele, para "justificar" a medida. "Caso
ele se interesse, pode tomar parte na ação principal, pois ele é uma das
partes", diz.
O delegado confirma ainda que houve acusações de maneira genérica e dirigida a
promotores e juízes. Serra foi chamado de "nazista", de acordo com ele. "Não foi
possível apagar apenas algumas das postagens porque o encadeamento dos posts e
comentários era ofensivo. A internet maximiza isso", observa Araújo Filho,
afirmando que as supostas ofensas não partiram apenas do autor do blog, "mas
também dos comentários nas postagens."
Cicarelli
"Chega a ser amador e hilário. Com a censura, é claro que um blog se transfere
para um servidor estrangeiro. De quebra, faz com que as pessoas se interessem
mais ainda pelo assunto", analisa o professor da Fundação Getúlio Vargas e
advogado especialista em internet Marcel Leonardi.
Segundo ele, é possível que o governador José Serra saiba, informalmente, a
respeito do inquérito. "Mas não dá para afirmar categoricamente que ele esteja
envolvido", afirma Leonardi. "Isso lembra até o caso da [Daniela] Cicarelli [e
do bloqueio do YouTube], em que ela afirmou que o namorado era o responsável
pelo processo, não ela."
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