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Noticia de internet
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Crescem debates sobre modo de cobrança dos jornais
online
Cinco meses atrás, um grupo de executivos de mídia que
incluía Steven Brill parecia dominar o cenário ao
anunciar a criação de um sistema que permitiria que
jornais cobrassem dos leitores pelo acesso ao seu
conteúdo online. Agora, esse projeto parece contar com
muita companhia, da News Corp., de Rupert Murdoch, a
gigantes de tecnologia como Google, Microsoft e IBM,
cujo interesse foi reportado inicialmente esta semana.
Mas executivos do setor editorial e analistas
acautelaram contra a conclusão de que isso prova a
existência de concorrência forte no desenvolvimento
desses sistemas, ou mesmo que os jornais se apressarão a
aderir a qualquer dos projetos. As contribuições do
Google e outros dos interessados são pouco mais que
conjuntos de ideias, apresentadas a pedido da Associação
de Jornais dos Estados Unidos, que as divulgou sem
querer em seu site.
A News Corp. tem um histórico no segmento, porque
controla o Wall Street Journal, que opera um dos maiores
sites pagos de notícias, mas executivos do setor afirmam
que nenhum outro dos grandes grupos jornalísticos
assinou para usar o sistema. Softwares de processamento
de pagamentos como o desenvolvido pelo PayPal ou Google
Checkout poderiam ser adaptados de maneira a atender às
necessidades das empresas jornalísticas, mas não foram
criados para elas.
A Journalism Online, criada por Brill, L. Gordon Crovitz
(ex-editor geral do Wall Street Journal) e pelo veterano
executivo de mídia Leo Hindery Jr., anunciou que dentro
de alguns meses terá um sistema em operação em centenas
de sites. Isso lhe ofereceria imensa vantagem inicial
com relação a possíveis concorrentes, mas a empresa
ainda não conta com um produto confiável ou histórico de
sucesso.
"Não há unanimidade entre os grupos editorais quanto ao
que fazer -se devem cobrar pelo conteúdo, quanto
cobrariam, como o fariam, que soluções deveriam usar-, e
a maioria das pessoas do setor ainda não acreditam que
seja possível impor cobrança sem repelir parte
considerável da audiência", disse Alan Mutter,
empresário e consultor de mídia. "Duvido que vejamos
muitas empresas investindo forte em sistemas para o
setor jornalístico, enquanto o setor mesmo não decidir o
que deseja fazer".
(Mutter foi sócio de uma empreitada, que ele diz estar
hibernando por falta de interesse, cujo objetivo era
recolher mais dados sobre os leitores da Internet e
usá-los de maneira a personalizar a
que eles
recebem e, possivelmente, promover uma transição rumo ao
conteúdo pago.)
Mesmo entre as publicações que estariam interessadas em
um sistema de pagamento online, dizem analistas, muitas
precisariam primeiro investir na reforma de seus
sistemas de computação, especialmente os bancos de dados
sobre leitores, em um momento de escassez de caixa para
muitos jornais e revistas.
Alguns sites de jornalismo vêm cobrando pelo acesso de
leitores a todo ou parte de seu conteúdo, entre os quais
o Wall Street Journal, Consumer Reports, Financial Times
e, entre 2005 e 2007, New York Times. Até o ano passado,
o consenso setorial era de que cobrar pelo acesso seria
autodestrutivo porque restringiria o número de leitores
e a receita publicitária, mas os grupos editoriais
terminaram aceitando a ideia, diante da severa queda em
sua receita publicitária.
Eles estão estudando uma complexa gama de opções que
incluem assinaturas semanais ou mensais, cobrança por
artigo, permissão de leitura de certo número de artigos
ou de trechos de textos pelos usuários antes que o
pagamento se torne compulsório, e assinaturas online
para grupos de publicações.
A associação de jornais norte-americana disse ter
convidado 13 empresas, entre as quais a Journalism
Online, a submeter propostas, divulgadas em seu site nas
últimas semanas, com o objetivo de oferecer ideias aos
seus integrantes. A proposta do Google, por exemplo, se
concentra em produtos que a empresa já oferece, como o
Checkout.
Como diversas outras empresas, "o Google não era uma
companhia que soubéssemos estar oferecendo soluções para
os jornais", diz Randy Bennett, vice-presidente sênior
de desenvolvimento de negócios na associação. "Algumas
outras companhias vêm trabalhando com os jornais para
desenvolver soluções destinadas a certos aspectos do
problema, mas não vêm divulgando amplamente suas
propostas".
Brian Pitz, analista de tecnologia no UBS Investment
Bank, disse que era difícil avaliar o grau de seriedade
das empresas de tecnologia envolvidas. Mas o que faria
sentido, diz ele, seria que uma empresa como o Google
desenvolvesse um sistema que permitisse a um jornal
gerir todo o seu conteúdo online, não apenas as funções
de pagamento ¿"é isso que eles fazem: organizar
informações"-, mas não está claro que os grupos
jornalísticos concordem com essa interpretação.
O Wall Street Journal cobra por acesso desde a metade
dos anos 90, e Murdoch disse que praticamente todos os
sites noticiosos de sua empresa farão o mesmo, no futuro
próximo.
O Wall Street Journal está desenvolvendo há um ano um
novo sistema de pagamentos, o "mosaic", para substituir
o atual, e a News Corp. espera usar versões desse
sistema em todas as suas unidades, e quer vendê-lo a
outras companhias, especialmente a grupos jornalísticos
importantes como a Tribune Co. e a Hearst. Mas os grupos
jornalísticos relutam em depender de um concorrente.
Brill, criador da CourtTV e da revista American Lawyer,
e Crovitz disseram na quinta-feira que a Journalism
Online tem cartas de intenção com empresas controladoras
de mais de mil sites de notícias e informação - grandes
e pequenas, norte-americanas e estrangeiras-, mas não
quiseram identificá-las. Brill afirmou que uma versão
beta de seu sistema de pagamentos deve estar disponível
em novembro ou dezembro deste ano, e que centenas de
sites devem começar a usá-lo em poucos meses.
A Journalism Online informou que ficaria com 20% da
receita auferida pelos clientes.
No primeiro semestre deste ano, disse Brill, as
conversas com executivos de jornais avançaram de "será
que devemos cobrar pelo conteúdo?" para "como, quando e
o quê".
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