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Rússia diz responder militarmente se EUA
instalarem escudo antimísseis
da Efe, em Moscou
A Rússia divulgou nesta terça-feira que responderá com medidas militares se os
Estados Unidos instalarem o sistema de Defesa Nacional contra Mísseis americano
perto das fronteiras russas no Leste Europeu.
"Se em frente a nossas fronteiras começar o desdobramento real do sistema
estratégico de defesa antimísseis dos Estados Unidos, seremos obrigados a reagir
com métodos militares e técnicos, e não diplomáticos", afirmou o Ministério de
Exteriores russo.
A Chancelaria russa disse que a assinatura de um acordo entre Washington e Praga
para instalar um radar em território tcheco "não aumenta a segurança da
República Tcheca, nem da Europa em geral".
De acordo com a Rússia, "não resta dúvida" de que a aproximação de componentes
do arsenal estratégico americano a território do país "pode ser empregado para
enfraquecer o potencial russo de dissuasão".
"Está claro que, nesta situação, a parte russa tomará medidas adequadas para
compensar as ameaças potenciais à sua segurança nacional. Mas não somos nós que
escolhemos isso", aponta o comunicado divulgado no site do ministério.
A nota especifica que a Rússia será obrigada a tomar medidas de resposta se os
acordos entre Washington e Praga forem ratificados, apesar da forte oposição ao
escudo antimísseis do Pentágono existente entre a sociedade --conforme constatam
as pesquisas-- e o Parlamento tcheco.
Além disso, reafirma a rejeição de Moscou ao sistema antimísseis americano, ao
afirmar que "é capaz de dinamitar a estabilidade e a segurança não só em escala
européia, mas global".
"Qualquer que seja o desenvolvimento da situação, partiremos antes de tudo da
necessidade de garantir devidamente a segurança de nosso Estado", divulga o
comunicado.
Proposta
A Rússia lamentou também que os EUA tenham "ignorado de fato" a proposta
alternativa russa de criar, conjuntamente, "um sistema coletivo de segurança
para as ameaças de ataques com mísseis".
Além disso, denunciou que Washington retirou suas propostas de "medidas de
transparência e controle" que tinha oferecido à Rússia anteriormente, para
convencer o país de que o escudo antimísseis não será dirigido contra território
russo.
"Observaremos atentamente como a situação evolui, e seguiremos abertos a um
diálogo construtivo tanto sobre o sistema antimísseis, quanto sobre toda a
problemática da segurança estratégica, mas sempre em pé de igualdade",
especifica a nota.
O acordo entre Praga e Washington foi assinado em meio à incerteza sobre outro
tratado similar entre EUA e Polônia, país no qual o Pentágono pretende instalar
uma base com vários mísseis, a fim de se defender de um eventual ataque
balístico.
A Polônia diz ser insuficiente a ajuda militar oferecida em troca pelos EUA,
enquanto a Lituânia já se prontificou a estudar uma eventual proposta de
Washington caso as negociações com Varsóvia fracassem.
Os planos americanos incluem a instalação de um sistema de radar em território
tcheco e de uma base de dez foguetes interceptores na Polônia para neutralizar
eventuais ataques com mísseis de países como o Irã.
A Rússia rejeita taxativamente estes planos, porque afirma que o escudo
antimísseis instalado perto das fronteiras russas será voltado contra o
potencial militar do país, e advertiu de que apontará seus mísseis nucleares às
nações que abrigarem essas instalações.
"Estes países devem entender que as instalações de defesa antimísseis são
componentes do sistema estratégico de contenção americano, e tais elementos são,
por definição, alvos" para as Forças Armadas da Rússia, disse hoje o conhecido
analista político próximo ao Kremlin Vyacheslav Nikonov.
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