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Com cessar-fogo assinado, Rússia deve começar a deixar a Geórgia


Ache Tudo e Região

O subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, o general Anatoly Nogovitsyn, afirmou nesta sexta-feira que o cessar-fogo com a Geórgia já está sendo cumprido e que os combates já terminaram. Para cumprir com o acordo feito diante da União Européia, a Rússia deve começar a retirar suas tropas do país nas próximas horas.

Na noite desta sexta (horário local), o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, anunciou ter assinado uma trégua com a vizinha rival. Sem entusiasmo, ele disse que o documento tratava especificamente do fim dos combates e da retirada das tropas russas, mas não do futuro das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia --ambas pró-Rússia. "Isso não acabou. Nós precisamos fazer o máximo para evitar que esse comportamento se repita no futuro."

Saakashvili só assinou o cessar-fogo ao final de uma reunião de quase cinco horas com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice. Como os EUA apóiam a Geórgia, o seu presidente, George W. Bush, enviou Rice à região para acelerar a retirada da Rússia.

Ontem, militares americanos afirmaram que não tinham meios de monitorar com precisão a movimentação das tropas russas, mas que tinham notícia de que elas estavam recuando.

Segundo a agência de notícias Associated Press, na noite de sexta, tanques russos ainda cercavam Gori, uma cidade estratégica, próxima da Ossétia do Sul. O subcomandante das Forças Armadas russas coronel Igor Konoshenkov, porém, afirmou que os tanques "estão fora da cidade" e visam só "impedir a entrada de ladrões". Gori está praticamente deserta e apenas alguns habitantes estão reunidos em duas praças, esperando ajuda.

Perto de Gori, na via que leva à capital Tbilisi, dezenas de soldados russos e seis blindados realizavam um bloqueio, ainda de acordo com a Associated Press. "Não sei quanto tempo ficaremos aqui, mas os oficiais não disseram nada sobre irmos embora hoje", afirmou um soldado, sob condição de anonimato.

"O primeiro ponto [do cessar-fogo], de não-emprego da força, está sendo cumprido; sobre o segundo, o fim definitivo das ações militares, digo que não se tem disparado um tiro", disse o subchefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia.

A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, se reúne com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, para mediar o conflito
Pouco antes do anúncio da assinatura do cessar-fogo na Geórgia, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, fez um pesado pronunciamento contra a Rússia, na Casa Branca. Foi a terceira vez, em três dias, que Bush faz discursos contra a Rússia.

"Para começar a consertar suas relações com os Estados Unidos, a Europa e outras nações e para começar a recuperar seu lugar no mundo, a Rússia precisa respeitar a liberdade dos países vizinhos", afirmou. "A Guerra Fria acabou."

Os conflitos entre Geórgia e Rússia começaram na quinta-feira (7), quando a Geórgia, que é aliada dos EUA, enviou tropas para retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, uma região separatista que declarou independência no começo dos anos 90. Moscou reagiu à ofensiva porque apóia o pequeno território e mantêm forças de paz na região.

Escudo

Em meio à grave crise no Cáucaso, EUA e Polônia anunciaram ontem a assinatura de acordo para a instalação de um escudo antimísseis americano em território polonês. De acordo com o documento, em troca de sediar o escudo, a Polônia receberá reforço armamentista.

O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, criticou a iniciativa e afirmou que o país se sente ameaçado. "O desenvolvimento de novas forças antimísseis têm como alvo a Rússia". Mais cedo, o o general Anatoly Nogovitsyn, integrante do comando militar russo, havia dito que o escudo deixou a Polônia "100% exposta a ataques" e insinuou que a Rússia está disposta a atacar a Polônia, caso o escudo seja usado contra o país.

Com agências internacionais

 

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