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Brasileiro teme que fogo atinja sua casa na
Austrália
O brasileiro Carlos Ferreira e a esposa Amanda,
moradores do Estado australiano de Victoria, temem que as queimadas que vêm
devastando áreas rurais da região atinjam zonas mais urbanizadas, como a cidade
onde moram.
O casal vive a cerca de 40 quilômetros dos focos de incêndio, na cidade de
Melbourne. "Como o fogo viaja muito rápido [chegou a 120 quilômetros de
velocidade], acredito que também corremos um certo perigo aqui. Está tudo muito
imprevisível", disse.
"Teve gente que tentou proteger a casa, mas nem teve tempo de fugir por causa da
velocidade com que as chamas se alastram", explicou Ferreira à BBC Brasil por
telefone.
O brasileiro contou que a esposa perdeu dois amigos no incêndio que afetou
Kinglake, município onde Amanda passou sua juventude. "A escola onde minha irmã
estudou foi totalmente destruída. Um amigo meu tentou proteger a casa e morreu",
disse Amanda.
'Com o aquecimento global, essa não vai ser a primeira nem ultima tragédia desse
tamanho', acrescentou ela.
Ajuda
O governo da Austrália anunciou um pacote de ajuda às vítimas de cerca de 10
milhões de dólares australianos (equivalente a R$ 15 milhões).
O primeiro ministro australiano, Kevin Rudd, disse que a população deve se
preparar para outras más notícias. "As áreas atingidas precisarão de anos para
serem reconstruídas", disse ele à mídia local.
Cerca de três mil quilômetros de florestas, plantações e cidades foram
atingidas. No pior caso de incêndios da história do país, pelo menos 131 pessoas
morreram e cerca de 750 casas foram destruídas, deixando milhares de
desabrigados.
Muitas pessoas encontraram abrigo em escolas próximas às áreas afetadas. Os
fogos chegaram a se alastrar na velocidade de 120 quilômetros por hora, sem
deixar tempo para muitos fugirem. Várias pessoas morreram encurraladas pelo fogo
dentro de seus carros enquanto tentavam escapar das chamas.
Alguns municípios e vilarejos foram completamente destruídos pelos incêndios. Em
alguns, casos suspeita-se de queimadas provocadas por ação humana. Uma pessoa já
foi presa.
Tropas militares e equipes de emergência ainda tentam controlar outras dezenas
de incêndios que ainda ameaçam áreas populosas. Bombeiros disseram que as
condições melhoraram com a queda das temperaturas, o que iria facilitar o
combate às chamas.
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